A sucessão familiar no leite nem sempre começa com grandes decisões. Às vezes, ela começa com uma criança segurando uma fita de pesagem no meio das bezerras.
No sítio da família Dalla Costa, na comunidade de Rio Guarapuava, interior do Paraná, a rotina da produção de leite já faz parte do cotidiano de Letícia Dalla Costa, de 10 anos. Filha do produtor Aido Dalla Costa, ela ajuda no manejo das bezerras, participa das anotações e acompanha o controle leiteiro da propriedade.
Mais do que observar, Letícia participa. Mede os animais, ajuda a pesar e aprende desde cedo detalhes que fazem parte da gestão da atividade leiteira. Para ela, tudo isso acontece com naturalidade.
“Eu achei legal, porque eles ensinam mais coisas e a gente sai daqui aprendendo mais”, contou durante um encontro do Clube da Bezerra, projeto desenvolvido pela Secretaria Municipal de Agricultura de Francisco Beltrão em parceria com a Cresol Tradição.
A iniciativa reúne famílias ligadas à produção leiteira para atividades técnicas, práticas e momentos de convivência. Neste mês, as crianças receberam fitas de pesagem para acompanhar o desenvolvimento das bezerras desde os primeiros dias de vida até a fase reprodutiva, registrando idade, peso e evolução dos animais.
Mas o projeto vai além da parte técnica. O objetivo também é aproximar as crianças da vida no campo em um momento em que a sucessão familiar se tornou uma preocupação crescente na pecuária leiteira.
E é justamente aí que histórias como a de Letícia chamam atenção. Enquanto muitos jovens enxergam o campo como sinônimo de trabalho pesado, ela fala da propriedade quase como um espaço de diversão. “Na cidade você tem um parquinho, mas no sítio você tem uma vaca”, comentou, com espontaneidade.
Para o pai, Aido, o envolvimento da filha também ajuda a construir continuidade dentro da propriedade. Segundo ele, os resultados aparecem tanto no interesse da menina quanto na qualidade do rebanho. As últimas novilhas criadas com mais acompanhamento já ultrapassaram os 30 litros de leite por dia, com alguns animais chegando a mais de 40 litros.
A proposta do Clube da Bezerra acompanha uma percepção cada vez mais presente em cooperativas e municípios ligados ao leite: incentivar crianças a participar da rotina da propriedade pode ser tão importante quanto investir em genética ou tecnologia.
No fim, entre pesagens, anotações e cuidados diários, o projeto acaba mostrando algo simples — o futuro do leite talvez esteja começando muito antes da vida adulta.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por JdeB






