A produção de leite no Paraná ganhou uma nova organização de representação em um momento marcado pela diminuição do número de produtores e pelo debate sobre as condições de competitividade da atividade.
Reunidos em Cascavel, representantes do setor formalizaram a criação da União Paranaense dos Produtores de Leite (Uniproleite), iniciativa que busca ampliar a participação dos produtores nas discussões que afetam a cadeia.
O movimento ocorre em um contexto de transformação da produção leiteira estadual. Dados citados durante o encontro mostram que o Paraná tinha aproximadamente 110 mil produtores de leite em 2015. No ano passado, esse número caiu para 57 mil, evidenciando uma redução significativa da base produtiva ao longo da última década.
Para as lideranças do setor, a criação da nova entidade representa uma tentativa de fortalecer a capacidade de articulação dos produtores diante dos desafios que afetam a atividade. Entre as principais preocupações está a entrada de produtos lácteos importados, especialmente de países vizinhos, considerada um fator de pressão adicional sobre o mercado interno.
Segundo representantes presentes na assembleia, investigações e relatórios já apontaram a existência de práticas classificadas como dumping. Embora o governo federal tenha reconhecido a situação, produtores afirmam que ainda não foram adotadas medidas efetivas para reduzir seus impactos sobre a cadeia produtiva.
A preocupação vai além da concorrência comercial. Integrantes do setor argumentam que a manutenção desse cenário pode gerar consequências econômicas para a produção de leite nos próximos anos, afetando principalmente propriedades de menor porte.
O tema ganha relevância em um estado onde a atividade leiteira possui ampla presença territorial. O setor está distribuído pelos 399 municípios paranaenses e é composto majoritariamente por pequenas propriedades familiares. Em 2024, o Valor Bruto da Produção do leite movimentou cerca de R$ 12 bilhões no estado.
Durante a assembleia, outro ponto recebeu destaque: o modelo de comercialização do leite. De acordo com o presidente da Uniproleite, Meysson Vetorello, os produtores entregam sua produção ao longo do mês sem conhecer previamente o valor que receberão pelo produto. A informação sobre o preço pago é comunicada apenas posteriormente pelas indústrias.
Na avaliação das lideranças, esse mecanismo reduz a previsibilidade econômica da atividade e dificulta o planejamento das propriedades. O tema passou a integrar a pauta de reivindicações da nova entidade ao lado das discussões sobre importações e competitividade.
Os produtores também defendem maior mobilização política para ampliar sua participação nas decisões relacionadas ao setor. A expectativa é que a Uniproleite funcione como um canal de representação mais estruturado, capaz de reunir demandas comuns e fortalecer a posição dos produtores nas negociações e debates sobre o futuro da atividade leiteira paranaense.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por catve.com






