A obtenção da certificação FSSC 22000 pela Cooperativa Santa Clara em suas três plantas industriais de laticínios vai além de uma conquista institucional.
O movimento reflete uma transformação mais ampla que vem ganhando espaço na indústria de alimentos: a segurança alimentar deixa de ocupar apenas o campo da conformidade regulatória para assumir papel estratégico na construção de competitividade.
A certificação foi alcançada nas unidades de Casca, Carlos Barbosa e Getúlio Vargas, consolidando um sistema de gestão voltado à segurança dos alimentos em toda a operação industrial da cooperativa. O reconhecimento internacional abrange todas as etapas relacionadas à produção, reforçando padrões de controle, rastreabilidade e padronização dos processos.
O caso chama atenção porque evidencia uma tendência cada vez mais presente no setor. Em um ambiente onde consumidores, clientes e mercados exigem maior transparência sobre a origem e a qualidade dos produtos, investimentos em sistemas robustos de segurança alimentar passam a gerar valor que vai além das auditorias e dos requisitos legais.
A primeira planta certificada foi a unidade de Casca, responsável pela industrialização de aproximadamente 16 milhões de litros de leite por mês destinados à produção de leite UHT, creme de leite UHT e bebidas lácteas UHT. Posteriormente, a certificação foi estendida à unidade de Carlos Barbosa, onde estão concentradas as produções de queijos nobres, queijos frescais, queijos processados, nata e bebida láctea fermentada.
A terceira etapa ocorreu na unidade de Getúlio Vargas, dedicada à fabricação de queijos coalho, queijos filados, produtos processados, nata e molhos lácteos, com industrialização aproximada de 4 milhões de litros de leite por mês. A conclusão da auditoria em maio consolidou a certificação das três operações industriais.
Segundo o diretor administrativo e financeiro da cooperativa, João Alexandre Guerra, a certificação reafirma o compromisso da organização com a excelência e com a adoção de padrões internacionais ao longo da cadeia produtiva.
Por trás desse resultado, entretanto, existe um processo mais amplo de transformação operacional. A obtenção da certificação exigiu revisão de processos, investimentos em melhorias, capacitação das equipes e fortalecimento da cultura de segurança de alimentos dentro das unidades industriais.
O diretor industrial do setor lácteo, João Seibel, destaca que a conquista foi resultado de um trabalho estruturado de padronização e aperfeiçoamento contínuo das operações. A certificação, segundo ele, representa um avanço significativo na confiabilidade dos processos industriais e no controle das atividades produtivas.
Para a indústria láctea, movimentos como esse mostram que a competitividade está cada vez mais associada à capacidade de demonstrar consistência operacional. Produzir com eficiência continua sendo fundamental, mas cresce a importância de comprovar, de forma documentada e auditável, que os processos seguem padrões reconhecidos internacionalmente.
Nesse contexto, certificações de segurança alimentar deixam de funcionar apenas como selo de qualidade. Elas passam a integrar um conjunto de ferramentas de gestão capazes de fortalecer a reputação das marcas, ampliar a confiança dos consumidores e preparar as empresas para mercados cada vez mais exigentes.






