O preço do leite em Mato Grosso voltou a subir em abril, impulsionado por uma disputa mais intensa entre indústrias pela matéria-prima.
O movimento ocorreu em um cenário de menor captação, refletindo uma oferta mais restrita de leite no estado e alterando a dinâmica de negociação ao longo da cadeia.
Segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o litro do leite foi pago, em média, a R$ 2,05 em abril, avanço de 12,78% em relação a março. Apesar da recuperação mensal, o valor ainda permaneceu 10,97% abaixo do registrado no mesmo período de 2025.
A alta dos preços ocorreu em paralelo à redução do Índice de Captação de Leite (ICAP-L), que ficou em 46,46%, com recuo de 1,18 ponto percentual frente ao mês anterior. De acordo com o instituto, o resultado está associado à maior concorrência entre indústrias pela matéria-prima em um período de menor disponibilidade de pastagens, condição que limitou a oferta de leite no estado.
O comportamento do mercado indica que a disponibilidade de leite passou a exercer influência direta sobre a formação dos preços. Com menos matéria-prima disponível, as indústrias intensificaram a disputa pela captação, contribuindo para a valorização do produto pago ao produtor.
Ao mesmo tempo, a atividade encontrou algum alívio nos custos de alimentação. Em abril, o milho foi comercializado, em média, a R$ 45,67 por saca, queda de 1,30% em comparação com março. O recuo melhorou a relação de troca para os produtores, que passaram a necessitar de 22,33 litros de leite para adquirir uma saca do cereal, redução de 12,48% na comparação mensal.
Apesar desse fator favorável, os custos de produção continuaram avançando. O Índice de Insumos para Produção de Leite Cru em Mato Grosso (ILC-MT) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com média de 177,09 pontos, alta de 2,12% em relação ao mesmo período do ano anterior e o segundo maior resultado da série histórica para o período.
Entre os componentes que mais pressionaram os custos estiveram a mão de obra, que avançou 6,79% após o reajuste do salário mínimo, e os gastos com volumosos, que cresceram 9,46% em função da elevação dos custos com sementes forrageiras, correção de solo e valorização do óleo diesel no início do ano.
O cenário mostra um mercado marcado por sinais distintos. De um lado, a menor oferta de leite fortaleceu a concorrência entre indústrias e sustentou a recuperação dos preços pagos ao produtor. De outro, a atividade continua operando sob pressão de custos, enquanto os valores recebidos ainda permanecem abaixo dos níveis observados um ano antes.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por TERRA MT DIGITAL






