O mercado de alimentos entrou em um novo momento em maio, marcado por uma alteração clara na dinâmica entre oferta e preços.
Segundo levantamento da Neogrid, as categorias mais dependentes das condições climáticas foram justamente aquelas que registraram os maiores reajustes, indicando que o frio passou a influenciar diretamente o comportamento do varejo.
Mais do que um movimento pontual de preços, os números mostram uma mudança nas condições de abastecimento. Produtos cuja produção depende do ritmo de desenvolvimento das lavouras passaram a apresentar menor disponibilidade, criando um ambiente de maior volatilidade para toda a cadeia.
Categorias que mais se movimentaram em maio
| Categoria | Abril | Maio | Variação |
|---|---|---|---|
| 🥬 Legumes | R$ 6,89 | R$ 7,93 | +15,1% |
| 🥛 Leite em pó | R$ 40,47 | R$ 44,10 | +9,0% |
| 🌱 Feijão | — | — | +5,0% |
| 💧 Água mineral | — | — | +3,5% |
| 🍅 Molho de tomate | — | — | +3,3% |
Os dados mostram que a maior pressão concentrou-se nas categorias cuja oferta reage rapidamente às condições climáticas. Os legumes lideraram a alta nacional, enquanto o leite em pó apareceu como uma das categorias de maior valorização do mês, reforçando que o movimento já alcança parte do setor de lácteos.
Segundo Marcelo Alves, gerente Executivo de Dados da Neogrid, a redução da produtividade e o ritmo mais lento de maturação durante os períodos frios diminuem a disponibilidade de alguns produtos e elevam os preços ao consumidor.
Além da explicação climática, o estudo chama atenção para outro aspecto estratégico: quanto maior a volatilidade, maior a necessidade de previsibilidade de demanda e visibilidade dos estoques para reduzir rupturas e desperdícios ao longo da cadeia de consumo.
Nem todos os alimentos subiram
| Categoria | Variação |
|---|---|
| 🥚 Ovos | -6,5% |
| 🍝 Massas secas | -3,0% |
| ☕ Café | -2,5% |
| 🐖 Carne suína | -1,4% |
| 🍬 Açúcar | -1,1% |
| 🌱 Óleo de soja | -0,9% |
Embora o cenário geral seja de pressão sobre diversos alimentos, o comportamento não foi uniforme. Algumas categorias registraram queda de preços, oferecendo algum alívio ao consumidor. Entre elas, o óleo de soja destacou-se por ser o único item com redução em todas as regiões do Brasil.
Esse contraste evidencia que a formação dos preços continua sendo altamente dependente das características de oferta de cada categoria.
Pressão acumulada desde dezembro
| Categoria | Variação acumulada (dez/2025 – mai/2026) |
|---|---|
| 🥬 Legumes | +44,2% |
| 🌱 Feijão | +26,5% |
| 🥛 Leite UHT | +23,9% |
| 🥩 Carne bovina | +6,0% |
| 🥚 Ovos | +6,0% |
O acumulado do período revela que a alta observada em maio não é um episódio isolado. Os legumes permanecem como a categoria de maior valorização desde dezembro, enquanto o leite UHT figura entre os alimentos com maior aumento no varejo alimentar.
Esse comportamento indica que a pressão sobre algumas cadeias já se consolidou ao longo dos últimos meses, tornando o ambiente de negócios mais sensível às oscilações de oferta.
O sinal que o mercado deixa
O estudo aponta que o comportamento climático continuará sendo um dos principais fatores de atenção para os próximos meses. A Neogrid afirma que acompanha as projeções relacionadas ao El Niño e observa que eventuais mudanças no regime de chuvas e nas temperaturas poderão ampliar a volatilidade em categorias como hortifrútis e lácteos.
Sob a ótica do mercado, o principal recado é que o clima deixou de ser apenas um fator agrícola e passou a influenciar diretamente o planejamento de abastecimento, gestão de estoques e tomada de decisão no varejo alimentar.
Em um cenário de maior instabilidade, a capacidade de antecipar movimentos da oferta tende a ganhar ainda mais importância para toda a cadeia.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por CNN Brasil






