ESPMEXENGBRAIND
7 jul 2026
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As importações de lácteos alcançaram o maior volume já registrado para um primeiro semestre, enquanto as exportações permaneceram entre as menores da série histórica, ampliando o desequilíbrio da balança comercial 📉
leite
🥛 O Brasil importou mais lácteos do que nunca em um primeiro semestre, enquanto as vendas ao exterior continuaram sem reação, aprofundando o desequilíbrio comercial.

A balança comercial de lácteos brasileira encerrou o primeiro semestre de 2026 exibindo um contraste que resume o momento vivido pelo setor.

De um lado, o país registrou o maior volume de importações já observado para um primeiro semestre em toda a série histórica. Do outro, as exportações permaneceram entre as menores desde 2013, ampliando um desequilíbrio que segue pressionando o comércio exterior dos lácteos.

Os números que marcaram o semestre

Indicador Resultado
Importações Maior volume da série histórica para um 1º semestre
Recordes consecutivos 4 primeiros semestres consecutivos (desde 2023)
Maior mês de importação Março de 2026: 230 milhões de EqL
Exportações Segunda menor quantidade para um 1º semestre desde 2013
Exportações x Importações Apenas 3,9% do volume importado
Receita das exportações Apenas 1,3% do gasto com importações
Déficit comercial US$ 512 milhões

O levantamento mostra que os recordes deixaram de ser um episódio isolado. Desde 2023, cada primeiro semestre supera o anterior em volume importado, consolidando uma sequência inédita. Em março de 2026 foi registrado o maior volume mensal de importações da série histórica, equivalente a 230 milhões de litros de leite, enquanto abril, maio e junho também estabeleceram recordes para seus respectivos meses.

A maior parte desse movimento continua concentrada em um único grupo de produtos. A categoria NCM0402, que reúne principalmente leite em pó e produtos relacionados, respondeu por 72% de todo o volume importado em equivalente leite durante o semestre. Apenas em junho, as compras dessa categoria cresceram 27% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Os queijos também seguiram a mesma trajetória. A categoria NCM0406 registrou um novo recorde semestral, com os três maiores volumes mensais para um primeiro semestre desde 2013. Mesmo após recuar 8,4% em junho frente ao pico registrado em maio, o volume permaneceu 57% superior ao observado em junho de 2025.

Em valores, as importações brasileiras de produtos lácteos aumentaram 6,8% no primeiro semestre frente ao mesmo período do ano passado, enquanto junho apresentou crescimento interanual de 27,4%. Leite em pó e queijos responderam por mais de 90% do valor importado, sendo 66% provenientes da categoria NCM0402 e 26% da NCM0406.

Enquanto as compras externas aceleraram, as exportações caminharam na direção oposta. Em equivalente leite, o Brasil exportou apenas 3,9% do volume que importou durante o semestre, configurando a segunda menor quantidade exportada para um primeiro semestre desde 2013. Em valores, a situação também permaneceu frágil: a receita obtida representou somente 1,3% do montante gasto com importações, além de registrar, em junho, o menor faturamento para o mês dos últimos quatro anos.

O resultado aparece de forma direta na balança comercial. O déficit do comércio brasileiro de produtos lácteos permaneceu negativo em todos os indicadores e atingiu o maior déficit da série histórica em equivalente leite para um primeiro semestre. Em valores, o saldo negativo chegou a US$ 512 milhões, apenas 0,8% inferior ao recorde registrado em 2023, mantendo-se em um dos níveis mais elevados da série.

A própria composição desse déficit mostra onde está concentrada a pressão sobre a balança comercial. No primeiro semestre de 2026, a categoria NCM0402 respondeu por 70,4% do déficit, enquanto os queijos (NCM0406) representaram 26,2%. As demais categorias apresentaram superávit, insuficiente para compensar o peso desses dois segmentos.

Mais do que um novo recorde, os números revelam uma tendência que se consolida ao longo dos últimos anos: o Brasil amplia sucessivamente suas compras externas de lácteos, enquanto as exportações seguem sem capacidade de acompanhar esse movimento. O resultado é uma balança comercial que continua profundamente desequilibrada e cada vez mais dependente da evolução das importações.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por TerraViva® 

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