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17 jul 2026
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🦌 O leite de alce é produzido em uma fazenda na Rússia que mantém animais em regime semisselvagem e desafia os modelos tradicionais da pecuária.
🌲 Na região de Kostroma, o leite de alce nasce de um sistema incomum que combina manejo, floresta e produção limitada.
🌲 Na região de Kostroma, o leite de alce nasce de um sistema incomum que combina manejo, floresta e produção limitada.

Em Kostroma, na Rússia, o leite de alce é produzido em um sistema que foge completamente dos padrões da pecuária tradicional.

Em vez de vacas, cabras ou búfalas, uma fazenda dedicada ao manejo semisselvagem do maior cervídeo do planeta mantém uma rotina de ordenha que transformou o local em uma das experiências mais curiosas da produção animal.

A Fazenda de Alces de Sumarokovo iniciou suas atividades em 1963 como parte de um projeto soviético de domesticação parcial da espécie. O objetivo não era converter os alces em gado convencional, mas avaliar a possibilidade de manejar um animal adaptado ao frio, às florestas boreais e à alimentação baseada na vegetação nativa.

Esse conceito permanece até hoje. Os animais vivem em áreas de mata, circulam livremente e retornam à fazenda em períodos específicos. Embora sejam manejados pelos tratadores, preservam parte de seu comportamento selvagem, característica que diferencia completamente esse sistema dos modelos convencionais de produção leiteira.

A própria alimentação acompanha essa lógica. Segundo informações da fazenda, a área abriga 231 espécies de plantas, das quais 89 fazem parte da dieta dos alces.

A produção de leite começa após o nascimento dos filhotes. As fêmeas entram em lactação e passam por um processo de ordenha adaptado ao comportamento da espécie, baseado em manejo cuidadoso e na relação construída com os tratadores. Por isso, a produção depende da sazonalidade e não pode ser planejada em escala industrial.

De acordo com a Fazenda de Sumarokovo, cada fêmea produz entre 100 e 600 quilos de leite por lactação. O produto apresenta, em média, 12% de gordura, 9% de proteína e 25% de matéria seca, composição que explica por que é considerado um alimento raro dentro da própria Rússia.

Estudos também mostram que a composição varia ao longo da lactação. Uma pesquisa publicada na CyberLeninka por L. P. Solovyova e R. M. Kosarev, com amostras da Fazenda de Sumarokovo, concluiu que o fluido produzido entre o primeiro e o terceiro dia deve ser classificado como colostro, passando a ser considerado leite a partir do quarto dia.

O trabalho também registrou diferenças entre os animais avaliados. Uma fêmea de oito anos produziu 70,4 litros nos primeiros quinze dias de lactação, enquanto outra, com três anos, registrou 15,6 litros no mesmo período.

Além da composição nutricional, materiais técnicos da Fazenda de Kostroma e do sanatório Ivan Susanin descrevem o uso do leite de alce em protocolos voltados a úlceras gástricas, problemas do trato digestivo e recuperação clínica. Os próprios documentos destacam que essas aplicações fazem parte de uma tradição terapêutica russa e não substituem tratamentos médicos convencionais.

A raridade também aparece no valor do produto. Segundo o site oficial da Fazenda de Sumarokovo, o litro do leite de alce é vendido por 2.000 rublos, enquanto porções de degustação de 50 gramas custam 100 rublos.

Mais do que uma alternativa para a produção leiteira em grande escala, a fazenda representa um modelo singular de manejo animal. O sistema reúne criação semisselvagem, pesquisa, turismo rural e conservação, mostrando até onde é possível adaptar o maior cervo do mundo sem alterar completamente sua natureza.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Compre Rural

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