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16 jul 2026
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No entanto, o mercado pode estar começando a encontrar uma base mais firme após várias semanas de correções, afirma Cristina Alvarado.
leite
As condições climáticas, como as ondas de calor na Europa, provavelmente se tornarão um fator cada vez mais importante para os mercados lácteos durante o segundo semestre do ano, diz Cristina Alvarado. Foto: Pexels.

Após encerrar a temporada 2025/26 com resultados recordes, a indústria de laticínios da Nova Zelândia iniciou a nova safra em uma posição de força.

No entanto, enquanto a produção de leite continua crescendo na maioria das principais regiões exportadoras, os mercados globais de lácteos vêm sofrendo pressão crescente, à medida que a disponibilidade de produtos supera a demanda.

A Nova Zelândia encerrou a temporada 2025/26 com mais um recorde. A produção de sólidos do leite atingiu 2,03 bilhões de kgMS, alta de 4,5% em relação à temporada anterior e 4,1% acima do recorde anterior, registrado em 2020/21. O volume total de leite coletado também alcançou um novo máximo, de 22,4 milhões de toneladas, crescimento de 3,6% na comparação anual.

Os fortes retornos ao produtor, as condições favoráveis de crescimento das pastagens e a melhora da produtividade das vacas contribuíram para que o setor voltasse a expandir após várias temporadas de consolidação.

O cenário positivo da produção não se restringe à Nova Zelândia. A produção de leite continuou crescendo na maior parte das principais regiões exportadoras durante o primeiro semestre do ano.

Nos Estados Unidos, a produção de leite aumentou 2,3% em maio na comparação anual, impulsionada pelo maior rebanho leiteiro do país em três décadas. A produção europeia também permaneceu forte, com as coletas de abril crescendo 2,3%, enquanto Alemanha, França e Países Baixos registraram crescimento consistente no acumulado do ano.

A Austrália informou aumento de 5,4% na produção de maio, a Argentina registrou crescimento de 2,0% e o Uruguai apresentou uma expressiva alta de 10,2%. A China continua sendo a principal exceção, com retração de 4,6% na produção de leite em maio na comparação anual.

Esse aumento generalizado da oferta global de leite resultou em maior disponibilidade de produtos lácteos, exercendo pressão baixista sobre os preços internacionais.

Os próprios dados de exportação da Nova Zelândia ilustram essa tendência. Os volumes exportados de lácteos cresceram 16,4% em maio na comparação anual, liderados por um aumento de 44% nas exportações de leite em pó integral (WMP), alta de 28% no leite em pó desnatado (SMP) e crescimento de 24% nos embarques de manteiga.

Esse mercado impulsionado pela oferta ficou evidente no primeiro leilão do Global Dairy Trade (GDT) de julho. O Evento 407 registrou a maior queda dos últimos dois anos, com o índice geral de preços recuando 4,9%. O leite em pó integral caiu 4,4%, o leite em pó desnatado recuou 7,0%, a manteiga perdeu 5,0% e o queijo cheddar registrou queda de 12,3%.

O resultado mais fraco ocorreu apesar do interesse contínuo de compradores do Norte da Ásia e do Oriente Médio, já que o volume significativamente maior de produtos disponibilizados na plataforma superou a demanda.

Apesar da queda nos preços das commodities, a perspectiva para o pagamento do leite na Nova Zelândia permaneceu relativamente resiliente. A desvalorização do dólar neozelandês compensou mais do que integralmente a recente queda dos preços das commodities, levando a previsão do preço do leite da NZX para a temporada 2026/27 a subir ligeiramente para NZ$ 9,41/kgMS, com faixa projetada entre NZ$ 9,12 e NZ$ 9,98/kgMS após o Evento 407 do GDT.

Também há indícios iniciais de que o ritmo de queda dos preços pode estar começando a desacelerar. O Leilão GDT Pulse 112, realizado em 14 de julho, registrou ganhos modestos tanto para o leite em pó integral quanto para o leite em pó desnatado em comparação com o Evento 407 do GDT. Embora um único leilão não estabeleça uma tendência, o resultado sugere que o mercado pode estar começando a encontrar uma base mais firme após várias semanas consecutivas de correções.

Olhando para os próximos meses, o clima provavelmente se tornará um fator cada vez mais importante para os mercados lácteos durante o segundo semestre do ano. Ondas de calor já afetaram partes da Europa, reduzindo a produtividade e provocando estresse térmico nos rebanhos leiteiros.

Ao mesmo tempo, as previsões apontam para o desenvolvimento de condições de El Niño sobre o Pacífico. Se essas condições começarem a afetar a produção de leite nas principais regiões exportadoras nos próximos meses, o atual crescimento da oferta global poderá desacelerar consideravelmente.

Por enquanto, os mercados globais de lácteos permanecem bem abastecidos, e os preços continuam refletindo essa realidade. No entanto, com o surgimento de riscos para a produção, a aproximação da demanda sazonal pelas entregas de fim de ano e os preços das commodities apresentando sinais iniciais de estabilização, os participantes do mercado acompanharão atentamente se o equilíbrio entre oferta e demanda começará a se estreitar ao longo de 2026.

*Traduzido de Farmers Weekly para eDairyNews

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