O Brasil registrou neste mês de julho sua primeira exportação de gado Girolando para Botswana, no sul da África.
A operação, realizada pela Fazenda Floresta, de Lins (SP), associada à Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, enviou 189 novilhas prenhes para a cidade de Lobatse, no sudeste do país africano.
Os animais embarcaram em avião no dia 11 de julho e já estão instalados na Fazenda Milk Valley, propriedade da Botswana Development Corporation (BDC), agência estatal responsável pelo desenvolvimento comercial e industrial de Botswana.
O carregamento é o primeiro de uma série de remessas previstas dentro de um programa de importação da BDC, que pretende introduzir mil vacas leiteiras de alto rendimento na Fazenda Milk Valley ao longo do projeto.
O caminho até o embarque começou em maio de 2025, quando tiveram início as negociações para a abertura desse mercado, concluídas em março de 2026. O Brazilian Girolando, projeto de exportação da associação da raça, participou do processo fornecendo dados técnicos sobre os animais selecionados.
Segundo Marcello Cembranelli, gestor do Brazilian Girolando, todos os exemplares exportados possuem registro genealógico emitido pela associação, o que comprova a genealogia dentro da raça. Ele destaca que essa garantia de origem foi um fator decisivo para o governo de Botswana, que planeja usar a genética recebida como base para multiplicar o rebanho leiteiro da Milk Valley.
Do lado africano, o diretor-geral da BDC, Oteng Keabetswe, classificou a chegada da genética brasileira como um ponto de virada para a construção de uma indústria leiteira moderna no país.
Segundo ele, o investimento deve fortalecer a produção nacional de leite, gerar empregos, desenvolver mão de obra local e contribuir para os objetivos de segurança alimentar e diversificação econômica de Botswana, além de reduzir a dependência de laticínios importados.
A criadora Roberta Bertin reforça o caráter inédito da operação, apontando que se trata da primeira exportação de material genético bovino do Brasil para Botswana, o que abre uma nova frente para a genética leiteira brasileira no continente africano.
Segundo ela, os animais enviados têm alto mérito genético, reconhecidos por produtividade, adaptação e eficiência, características que devem impulsionar a produção leiteira local — reafirmando, segundo a criadora, a posição do Girolando brasileiro como referência mundial em genética e produção de leite em clima tropical.
O governo de Botswana optou por uma estratégia de importação planejada, com o objetivo de garantir a sustentabilidade a longo prazo do projeto e estruturar o programa de reprodução da Fazenda Milk Valley.
De acordo com a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, a expectativa é de que, ao final do programa de expansão, o rebanho da fazenda chegue a cerca de 3 mil cabeças de gado leiteiro, ampliando de forma significativa a capacidade de produção de leite do país.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por DBO






