ESPMEXENGBRAIND
22 jul 2026
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Histórias de produtores mostram como o queijo artesanal evoluiu de ofício tradicional para uma atividade com maior rentabilidade 🌱
Mais do que alimento, o queijo artesanal se consolida como estratégia para agregar valor ao leite e fortalecer o campo. 🐄
Mais do que alimento, o queijo artesanal se consolida como estratégia para agregar valor ao leite e fortalecer o campo 🐄

O queijo artesanal deixou de representar apenas uma tradição rural para assumir um papel cada vez mais relevante como alternativa de geração de renda no Distrito Federal.

Em diferentes propriedades, o trabalho que começa com o leite termina em produtos de identidade própria, capazes de conquistar consumidores dispostos a pagar mais por alimentos produzidos em pequena escala e com características únicas.

Essa transformação também aparece nos números da cadeia de laticínios. Segundo dados da Emater-DF, o Valor Bruto da Produção (VBP) passou de R$ 34,7 milhões em 2024 para R$ 37,8 milhões em 2025, crescimento aproximado de 9%. No mesmo período, o número de produtores de queijo cadastrados aumentou de 129 para 134.

Por trás desses resultados existem histórias em que o conhecimento técnico caminha ao lado da tradição. Para a extensionista rural da Emater-DF e engenheira de alimentos Milena de Oliveira, a produção artesanal tem permitido agregar valor ao leite e ampliar a renda dos produtores, além de fortalecer a agroindústria local.

O mercado também evoluiu em diversidade. Além dos tradicionais queijos frescal, muçarela e ricota produzidos com leite bovino, produtores do Distrito Federal investem em queijos elaborados com leite de cabra, búfala e ovelha. Burrata, boursin, coalho, queijos maturados e receitas próprias passaram a integrar um portfólio que diferencia os empreendimentos locais.

Para Lucas Douglas de Oliveira, especialista em queijos e proprietário da Capital Empório – Queijos Artesanais, o diferencial não está apenas na técnica de fabricação, mas na personalidade de cada produto. Enquanto o queijo comum busca padronização, o artesanal preserva identidade, tradição e autenticidade, refletindo as características da região onde é produzido.

Na avaliação do especialista, o Centro-Oeste reúne condições favoráveis para esse desenvolvimento graças à qualidade da água, das pastagens e à tradição dos produtores. Produtos como requeijão moreno, requeijão de corte e trancinha ajudam a construir essa identidade regional.

Na Cabríssima Queijaria Artesanal, especializada em derivados de leite de cabra, Giovana Navarro mostra como cada etapa interfere no resultado final. O cuidado com os animais, a higiene da propriedade e a qualidade do leite são considerados indispensáveis antes mesmo do trabalho do queijeiro, responsável por acompanhar desde a elaboração da receita até os processos de salga e maturação.

Segundo a produtora, a mão de obra especializada, a alimentação dos animais e os investimentos necessários para atender às exigências sanitárias representam parte importante dos custos da atividade. Ainda assim, ela observa que o interesse dos consumidores pelos produtos artesanais aumentou após a pandemia, impulsionado pela procura por alimentos de origem conhecida, produzidos em menor escala e associados a hábitos mais saudáveis.

Outra trajetória mostra como tradições podem encontrar espaço em novos mercados. A Apulia Queijos e Mozzarellas Artesanais Italianos nasceu em 2015, quando o italiano Andrea Attanasio decidiu levar para Brasília a tradição queijeira da região da Puglia, no sul da Itália.

A queijaria produz burrata, mozzarella fior di latte, stracciatella, ricota pugliese e provolones artesanais, utilizando leite fresco da própria fazenda e métodos tradicionais. Para Andrea, esse processo preserva características que resultam em sabor, textura e aroma próprios.

Mesmo diante do reconhecimento conquistado pelos queijos artesanais, o produtor afirma que os custos com matéria-prima e mão de obra seguem como desafios importantes para a atividade. Em contrapartida, observa crescimento consistente da demanda por produtos diferenciados, que vêm se consolidando como uma tendência da gastronomia brasiliense.

O fortalecimento da cadeia também recebeu apoio por meio do Projeto de Desenvolvimento do Queijo Artesanal no Distrito Federal – Selo Arte, coordenado pela Emater-DF em parceria com órgãos públicos e entidades do setor. Entre as iniciativas estão a capacitação de produtores, o incentivo à regularização sanitária das queijarias, a criação da Rota do Queijo do Distrito Federal e a realização do primeiro concurso distrital de queijos artesanais, que reuniu 20 produtores e 66 produtos inscritos em 2024.

Para Milena de Oliveira, os efeitos desse movimento ultrapassam os limites das propriedades rurais. Ao transformar o leite em produtos de maior valor agregado, os produtores reduzem a dependência da comercialização da matéria-prima in natura, ampliam sua margem de rentabilidade e contribuem para fortalecer a agroindústria local, além de estimular a geração de empregos e o turismo gastronômico nas áreas rurais do Distrito Federal.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por CB

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