ESPMEXENGBRAIND
23 jul 2026
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📈 Leite em pó, soro, fórmulas infantis e queijos moles lideraram a alta das importações chinesas, com impacto direto nos preços globais.
mercado leite
🌍 O avanço das importações lácteas da China em junho reabre o debate sobre a força da demanda asiática no mercado mundial.

A China voltou a chamar a atenção do mercado lácteo internacional. Em junho de 2026, as importações chinesas de produtos lácteos cresceram 11,4% em volume na comparação com igual mês do ano anterior, um salto que se amplia para 20,1% quando medido em litros de leite equivalentes. O valor total importado no mês, em dólares, avançou 20,6% na mesma comparação interanual.

O dado, divulgado pelo Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA) com base em informações da Alfândega da China e da CLAL.it, tem um componente que interessa diretamente a exportadores e formadores de preço: o crescimento de junho foi puxado por leite em pó integral, soro de leite, fórmulas infantis e queijos moles — categorias que costumam funcionar como termômetro da demanda chinesa por lácteos importados.

O que o mercado precisa observar: o contraste entre o mês e o semestre

O salto mensal, no entanto, contrasta com um quadro semestral bem mais contido. No acumulado de janeiro a junho de 2026, o volume importado pela China cresceu apenas 0,4% em relação ao mesmo período de 2025. Já o valor em dólares avançou 4,1%, um movimento explicado principalmente pelo componente preço: o valor médio das importações passou de US$ 4.555 para US$ 4.722 por tonelada, alta de 3,7%.

Essa diferença entre volume quase estável e valor em alta é um sinal relevante para o comércio internacional: sugere que o preço médio pago pela China por seus lácteos importados subiu mais do que a quantidade física comprada. Ainda assim, o valor por litro de leite equivalente no acumulado do ano ficou em US$ 1,06, praticamente no mesmo patamar do primeiro semestre de 2025.

Produtos com trajetórias opostas

Dentro da cesta importada pela China no primeiro semestre, o comportamento por produto foi bastante disperso, o que também é um dado relevante para quem acompanha o comércio mundial de lácteos:

Produto Volume (jan-jun 2026) Variação interanual
Soro de leite 332 mil toneladas -2%
Leite em pó integral 281 mil toneladas +11%
Leite em pó desnatado 112 mil toneladas -20%
Leite fluido desnatado 141 mil toneladas -13%
Creme de leite 152 mil toneladas +8%
Manteiga 66 mil toneladas +12%
Queijo mole 30.700 toneladas +31%
Queijo fundido +27%
Queijo ralado ou em pó +23%
Fórmulas infantis 106 mil toneladas +1%
Lactose de uso farmacêutico -21%

O soro de leite seguiu sendo a categoria de maior volume, com 332 mil toneladas, apesar de recuar 2% na comparação interanual. Já o leite em pó integral, segundo produto em volume com 281 mil toneladas, cresceu 11%. Na direção oposta, o leite em pó desnatado caiu 20%, até 112 mil toneladas, e o leite fluido desnatado recuou 13%, para 141 mil toneladas.

No segmento de queijos, o dinamismo foi maior: o queijo mole liderou com alta de 31%, até 30.700 toneladas, seguido pelo queijo fundido (+27%) e pelo queijo ralado ou em pó (+23%). A manteiga cresceu 12%, até 66 mil toneladas, e o creme de leite avançou 8%, para 152 mil toneladas. As fórmulas infantis tiveram alta discreta, de apenas 1%, somando 106 mil toneladas. Na outra ponta, a lactose de uso farmacêutico registrou a maior queda do semestre, com retração de 21%.

Nova Zelândia amplia domínio no leite em pó integral

Um dado com peso estratégico para o comércio internacional aparece justamente no segundo produto mais importado pela China: o leite em pó integral. No primeiro semestre de 2026, a Nova Zelândia concentrou 94,8% das compras chinesas desse produto, participação que já era alta no mesmo período do ano anterior (92,2%) e que agora se ampliou ainda mais.

Esse dado reforça a posição do país oceânico como fornecedor praticamente hegemônico da China nessa categoria específica, um fator que qualquer analista de mercado precisa considerar ao avaliar riscos de concentração de oferta e eventuais efeitos sobre preços internacionais.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Tardáguila

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