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24 jul 2026
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🐄 Entre a valorização do produtor e o avanço das compras externas, o mercado brasileiro de leite vive um momento de equilíbrio delicado.
📈 Captação nacional sobe 8% e chega a 76 milhões de litros diários, enquanto o preço ao produtor segue em recuperação, segundo a Embrapa.
📈 Captação nacional sobe 8% e chega a 76 milhões de litros diários, enquanto o preço ao produtor segue em recuperação, segundo a Embrapa.

O mercado brasileiro de leite atravessa um momento de fortalecimento consistente.

A captação nacional média cresceu 8% nos 12 meses encerrados em março de 2026, alcançando a marca recorde de 76 milhões de litros por dia. O dado consta na Nota de Conjuntura de julho divulgada pelo Centro de Inteligência do Leite (CILeite), vinculado à Embrapa Gado de Leite, que acompanha de perto os movimentos do setor lácteo no país.

O avanço da produção não veio acompanhado de perda de renda para quem produz. Pelo contrário: o preço médio recebido pelos produtores chegou a R$ 2,64 por litro em maio, com pagamento efetivado em junho, e os indicadores dos Conseleites apontam para a continuidade dessa valorização no curto prazo.

Essa combinação — mais leite disponível e melhor remuneração — marca uma virada em relação ao cenário anterior, de estagnação prolongada que se arrastava desde meados da década passada.

Segundo a análise da Embrapa, essa recuperação foi possível porque os custos de produção permaneceram relativamente estáveis e as relações de troca melhoraram, o que permitiu ampliar a oferta sem pressionar negativamente a renda de quem está na ponta produtiva. Do lado da demanda, o consumo interno seguiu suficientemente aquecido para absorver esse volume maior de leite e derivados, sustentando o equilíbrio do mercado.

O comportamento do setor no Brasil também dialoga com o que acontece lá fora. A produção de leite segue em expansão nas principais regiões produtoras do mundo, casos da União Europeia, dos Estados Unidos e da Nova Zelândia, além de Argentina e Uruguai, parceiros do Mercosul.

Até aqui, a demanda internacional tem conseguido absorver boa parte desse volume adicional, mas os sinais recentes não são inteiramente positivos: os três últimos leilões da plataforma Global Dairy Trade (GDT) registraram queda nos preços, e um deles teve recuo de 4,9%, o maior índice negativo do ano.

É justamente nesse cruzamento entre o mercado interno fortalecido e as oscilações do comércio internacional que aparece o principal ponto de atenção apontado pela Embrapa: as importações. Embora a média diária de compras externas tenha caído ao longo do período analisado pelo CILeite, o movimento voltou a se intensificar nos meses mais recentes.

Somente em junho, o Brasil importou o equivalente a 211 milhões de litros de leite, um volume 35,2% maior do que o registrado no mesmo mês de 2025.

Para a Embrapa, é justamente essa combinação de fatores — o ritmo das importações, a evolução dos custos de produção e a capacidade de absorção do mercado interno — que vai determinar para onde caminha o setor lácteo brasileiro nos próximos meses.

O cenário atual mostra um mercado mais forte do que há alguns anos, mas ainda sensível a movimentos externos que podem alterar rapidamente esse equilíbrio.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por AgroRevenda

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