ESPMEXENGBRAIND
27 jul 2026
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🥛 Produtores de leite de Mato Grosso podem ter acesso a mudanças que prometem impactar direto na renda do campo.
🐄 Um encontro em Juína reúne quem vive da produção de leite para discutir o que pode mudar a rotina nas propriedades
🐄 Um encontro em Juína reúne quem vive da produção de leite para discutir o que pode mudar a rotina nas propriedades.

Quem produz leite em Mato Grosso vai ter, a partir de agosto, um documento que promete orientar os próximos anos da atividade.

Produtores de leite de Mato Grosso, cooperativas, pesquisadores e representantes do poder público vão se reunir entre os dias 5 e 7 de agosto, em Juína, no 5º Seminário para Desenvolvimento Agropecuário de Mato Grosso. O encontro, na Câmara Municipal do município, terá como resultado a deliberação do Plano de Desenvolvimento da Bovinocultura de Leite do Estado.

Para o produtor, o segundo dia de programação deve ser o mais decisivo. É quando os debates vão se concentrar no cooperativismo, no crédito rural e na assistência técnica — os três pontos que, na prática, definem se uma propriedade consegue se manter na atividade ou não.

A pauta inclui alternativas de financiamento voltadas a pequenos produtores, linhas de crédito assistido, manejo nutricional, qualidade das pastagens, bem-estar animal, controle da mastite e prevenção de resíduos de antibióticos no leite.

Essa etapa do seminário fala diretamente com a realidade da agricultura familiar, para quem o leite funciona como uma das poucas fontes de renda que chegam com regularidade ao longo do ano.

Diferentemente de lavouras anuais ou da pecuária de corte, a atividade leiteira exige manejo diário, alimentação adequada, controle sanitário e estrutura para conservar o produto até o momento da coleta — uma rotina que pesa sobre o produtor, mas que também sustenta o caixa da propriedade em qualquer época do ano.

O contexto que motiva o encontro é de queda. Mato Grosso produziu 432,5 milhões de litros de leite em 2024, uma retração de 5,2% em relação ao ano anterior, segundo o levantamento mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com esse volume, o Estado ocupa a 14ª posição no ranking nacional, respondendo por cerca de 1,2% da produção do país. Em 2025, a captação formal de leite em Mato Grosso recuou 13,2 milhões de litros — a maior queda absoluta registrada entre os Estados pesquisados pelo IBGE naquele ano.

O cenário contrasta com o desempenho nacional. O Brasil bateu recorde de produção em 2024, com 35,7 bilhões de litros, avanço de 1,4%, gerando R$ 87,5 bilhões nas propriedades rurais, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Em 2025, a captação formal cresceu 8,5% no país, chegando a 27,5 bilhões de litros.

Mato Grosso é hoje líder nacional em rebanho bovino e em abate de gado, mas segue com participação limitada na produção de leite propriamente dita.

Para o produtor, essa distância entre potencial e resultado tem explicações concretas: a distância entre propriedades, o custo do transporte, a falta de estruturas de resfriamento, a baixa presença de laticínios em algumas regiões e a dificuldade de acesso à assistência técnica.

São gargalos que também aparecem na programação do último dia do seminário, voltado a laboratório, transporte, armazenamento e captação — a falta de análises rápidas atrasa a identificação de problemas de qualidade, enquanto as longas distâncias até os laticínios encarecem a coleta e aumentam o risco de perda do produto.

Já o primeiro dia do encontro tratará da inspeção sanitária e da abertura de mercados, com discussões sobre a estruturação dos Serviços de Inspeção Municipal (SIM), a formação de consórcios entre prefeituras e a adesão ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA).

Na prática, essa adesão pode mudar o alcance comercial de pequenas agroindústrias: um estabelecimento com inspeção apenas municipal só pode vender dentro do próprio município, mas ao integrar o sistema nacional, passa a comercializar seus produtos em todo o país — o que vale especialmente para queijos, manteiga e iogurtes, produtos que agregam valor ao leite e reduzem a dependência da venda da matéria-prima.

O plano que sairá do seminário será organizado em 11 eixos: cooperativismo e crédito rural, financiamento da produção, assistência técnica e extensão rural, capacitação profissional, pesquisa e inovação, sanidade animal, qualidade do leite, logística e armazenamento, agroindustrialização e agregação de valor, comercialização e sucessão familiar.

A participação no seminário pode ser presencial, na Câmara Municipal de Juína, ou virtual, por transmissão ao vivo pela internet — com direito a manifestação e certificado para quem acompanhar remotamente.

O evento é uma iniciativa da Superintendência Federal de Agricultura e Pecuária em Mato Grosso, do Consórcio Público Intermunicipal Vale do Juruena, do Conselho Regional de Medicina Veterinária, da Superintendência Federal do Desenvolvimento Agrário e do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Minuto MT

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