ESPMEXENGBRAIND
29 jul 2026
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📡 Um colar substitui quilômetros de cerca de arame — e o motivo vai muito além da praticidade.
🐄 Produtores esperaram sete meses por uma mudança que promete transformar o dia a dia no pasto.
🐄 Produtores esperaram sete meses por uma mudança que promete transformar o dia a dia no pasto.

Para o produtor que passa horas do dia tocando gado, consertando cerca de arame ou rodando de quatriciclo pelo pasto, uma notícia na Austrália pode soar como alívio:

A tecnologia de cerca virtual para gado acaba de ganhar aprovação oficial no estado da Austrália do Sul, depois de sete meses de espera desde que a legislação local mudou.

A empresa Halter se tornou a primeira operadora autorizada a atuar na região, alinhando o estado a outros territórios australianos — Victoria, Nova Gales do Sul, Queensland e Tasmânia — onde o sistema já está em uso. A mudança nas regras, dentro das Animal Welfare Regulations 2012, foi aprovada em dezembro de 2025.

Na prática, o sistema funciona com colares inteligentes que emitem sinais para o animal quando ele se aproxima do limite de uma área demarcada digitalmente, ou quando o produtor decide realocar o lote para outro piquete. Não há mais fio fixo nem infraestrutura tradicional — a cerca é reprogramada remotamente, conforme a necessidade da propriedade.

David Nation, líder de relações estratégicas da Halter na Austrália, contou que a empresa já fechou contrato com centenas de produtores no país e destacou o potencial da região: são mais de um milhão de cabeças de gado, entre leiteiro e de corte, somente na Austrália do Sul.

Segundo ele, o sistema dá ao produtor mais visibilidade e controle sobre o que acontece na propriedade, em vez de depender só de infraestrutura fixa e processos manuais. Nation afirma que o maior interesse vem de quem busca aproveitar melhor a pastagem, aumentar a produção de carne e organizar melhor a rotina da propriedade leiteira.

Robert Brokenshire, produtor em Mount Compass e presidente da Associação de Produtores de Leite da Austrália do Sul (SADA), disse que a entidade participou ativamente da mudança na legislação que permitiu a chegada da tecnologia ao estado. Para ele, a expectativa agora é que produtores de leite e outros criadores aproveitem a ferramenta como já acontece na Tasmânia.

Já Travis Tobin, executivo-chefe da Livestock SA, chamou a aprovação de marco importante, por dar aos produtores acesso ao primeiro sistema comercial de cerca virtual dentro do novo marco regulatório do estado.

Segundo ele, a entidade sempre apoiou a chegada da tecnologia, desde que vinculada a regras claras e critérios de bem-estar animal, e defendeu que os produtores locais tenham acesso às mesmas ferramentas já disponíveis em outras regiões do país, para seguir competitivos.

Tobin pondera, no entanto, que a cerca virtual não é solução para toda propriedade, e que, à medida que os produtores ganham experiência com o sistema, será importante manter acompanhamento, capacitação e suporte técnico para garantir os resultados esperados.

Entre os ganhos citados está a redução do tempo gasto em tarefas rotineiras, como deslocar o gado e fazer manutenção de cercas, além do monitoramento contínuo do rebanho.

Há também um efeito direto sobre a segurança no campo: com menos necessidade de deslocamento constante, mutirões e manejo manual do gado, cai a exposição a riscos ligados a quatriciclos, fadiga e trabalho solitário — apontados como as principais causas de acidentes graves em propriedades rurais australianas.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por The Weekly Times

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