ESPMEXENGBRAIND
3 ago 2026
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🥛 Seis meses depois, o litro pago no campo muda de patamar - os números do Cepea explicam o que está por trás da virada.
📈 Entre custos estáveis e importações em alta, o valor pago ao produtor de leite trilhou um caminho que poucos esperavam em 2026
📈 Entre custos estáveis e importações em alta, o valor pago ao produtor de leite trilhou um caminho que poucos esperavam em 2026.

O preço do leite ao produtor fechou o primeiro semestre de 2026 com valorização acumulada de 33,1%, segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.

A média do período ficou em R$ 2,4659 por litro – valor que, apesar do avanço expressivo no ano, ainda está 14% abaixo do registrado nos mesmos seis meses de 2025.

O impulso mais recente veio de junho, mês em que o litro do leite cru captado pelos laticínios chegou a R$ 2,7464 na “Média Brasil” líquida, alta de 3,02% frente a maio. Na comparação com junho do ano passado, porém, o valor real – já deflacionado pelo IPCA – ainda recua 0,86%.

Segundo o Cepea, a valorização no campo está associada à firmeza do mercado de derivados lácteos e a um crescimento da captação mais lento do que o esperado em algumas regiões produtoras. O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) ilustra bem esse movimento: de maio para junho houve aumento de 2,76% na Média Brasil, mas o acumulado do ano segue negativo, com queda de 11,4%.

Do lado dos custos, o Custo Operacional Efetivo (COE) apurado pelo Cepea manteve-se praticamente estável em junho, com avanço de apenas 0,24% na Média Brasil. O resultado reflete o recuo nos preços das matérias-primas usadas nas rações, movimento que compensou o aumento da demanda pelo insumo. Já no acumulado do primeiro semestre, o COE acumula alta de 2,04%.

Nos laticínios, o comportamento dos preços dos derivados foi misto em junho. Levantamento do Cepea, com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), mostra que o queijo muçarela e o leite em pó tiveram altas discretas, de 0,08% e 0,38%, respectivamente, encerrando o mês em R$ 35,19/kg e R$ 31,89/kg. Já o leite UHT teve queda expressiva de 3,07% frente a maio, fechando em R$ 4,53/litro.

O mercado internacional também mexeu com o cenário do leite brasileiro. As importações de lácteos recuaram 4,17% de maio para junho, totalizando 216,76 milhões de litros em equivalente leite, conforme dados da Secex.

Apesar da queda mensal, o volume trazido de fora segue bem acima do verificado um ano atrás, com alta de 35,11% sobre junho de 2025. No acumulado do primeiro semestre, as compras externas estão 14% maiores que as do mesmo período do ano passado.

Para o Cepea, o cenário de estoques reduzidos e captação de leite crescendo em ritmo mais lento manteve a disputa por matéria-prima aquecida entre os laticínios, adiando o ajuste dos preços. A entidade espera estabilidade com viés de alta para os próximos meses, com o terceiro trimestre marcado pelo aumento gradual da oferta de leite.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Conexão Safra 

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