A cadeia leiteira do Uruguai está enfrentando um dilema que costuma se repetir a cada primavera:
O que fazer quando a produção de leite cresce mais rápido do que o mercado consegue absorver. A resposta encontrada pela Compañía Láctea Agropecuaria Lecheros de Young (Claldy) foi aplicar um preço diferenciado do leite para o volume que ultrapassar a média histórica de cada produtor.
A empresa comunicou aos produtores remitentes que, durante agosto, setembro, outubro e novembro de 2026, os litros que excederem a média diária individual remetida no quadrimestre abril-julho serão pagos a 80% do preço base vigente no mês. O volume que se mantiver dentro dessa média continuará sendo remunerado pelo valor cheio.
Segundo o diretório da Claldy, a medida responde a uma dupla pressão sobre o negócio: de um lado, a remessa nacional de leite bateu recorde, com crescimento de 10% no primeiro semestre do ano; de outro, os preços internacionais dos lácteos acumulam fortes quedas nos últimos meses. A combinação dos dois fatores aprofunda algo que a própria empresa já reconhece como uma tendência histórica — a necessidade de exportar o excedente de primavera com prejuízo.
Ao anunciar o esquema, a companhia evitou o tom de penalização. De acordo com o comunicado, a intenção é “acompanhar e absorver de forma responsável” o volume extra gerado pelos produtores, permitindo processar e exportar a totalidade da produção mesmo em um cenário internacional de preços desafiador — sem penalizar o volume histórico que sustenta a estrutura das propriedades rurais.
Na prática, a lógica da Claldy é distribuir o impacto da queda dos preços internacionais de forma mais equilibrada entre os produtores, em vez de repassar o peso de maneira uniforme a todos, independentemente de quanto cada um tenha aumentado sua remessa nos últimos meses.
O esquema ficará em vigor justamente durante os quatro meses de maior produção no hemisfério sul, período em que a oferta de leite tende a crescer naturalmente por razões sazonais — e no qual, segundo a própria empresa, o excedente normalmente precisa ser escoado no mercado externo a preços pouco vantajosos.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Tardágiula






