ESPMEXENGBRAIND
4 ago 2026
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4 ago 2026
🐄 Depois de meses de crescimento forte, o setor leiteiro sul-americano enfrenta uma ameaça que vem do céu, não do mercado.
América
⛈️ Margens robustas seguraram os produtores até aqui, mas um novo fator ameaça a estabilidade nos próximos meses.

O setor leiteiro da América Latina fecha os primeiros quatro meses de 2026 com um crescimento acumulado de 5,4% em volume de produção na comparação anual, um resultado sustentado por margens operacionais favoráveis e por um início de ano climaticamente propício na região.

Mas a chegada do inverno no Hemisfério Sul já começou a mudar esse cenário, e o El Niño surge agora como a principal incógnita para o segundo semestre.

Os dados, levantados pela consultoria Quarterra, mostram que a expansão do primeiro quadrimestre vinha acompanhando um movimento global: as entregas mundiais de leite mantêm ganhos consecutivos ano a ano desde o início de 2025, e abril de 2026 registrou alta de 4,8% frente ao mesmo mês do ano anterior. Argentina, Uruguai e Chile foram os motores dessa expansão regional nos primeiros meses do ano.

A desaceleração, no entanto, já apareceu com força em abril. Excluindo mercados com dados restritos, como Brasil, México e Peru, o crescimento interanual da produção regional caiu para apenas 1,3% no mês. O comportamento por país foi bastante desigual: o Uruguai seguiu com expansão expressiva de 9,7%, o Chile recuou para 2,7%, a Colômbia caiu para 1,5% e a Argentina praticamente estagnou, com alta de só 0,5%.

Chuvas acima do normal, que prejudicaram as condições de pastagem e o conforto térmico dos rebanhos, principalmente na Argentina, foram apontadas como o principal fator por trás dessa freada no ritmo de crescimento.

E é justamente aí que mora a preocupação para os próximos meses: meteorologistas monitoram a formação de um El Niño forte, com previsão de chuvas acima da média atingindo bacias leiteiras centrais na Argentina, no Uruguai, no sul do Brasil e no Chile, além do norte do México.

O momento é sensível porque os rebanhos da região caminham justamente para o pico sazonal de produção, previsto para outubro. Qualquer agravamento das condições climáticas nesse período pode reduzir de forma significativa os volumes disponíveis para exportação, com efeito direto sobre a oferta global de insumos lácteos — já que a América Latina depende estruturalmente do mercado externo para escoar os altos volumes gerados durante os meses de pico.

Desde o primeiro trimestre de 2025, as exportações regionais de lácteos vêm rodando consistentemente acima dos níveis do ano anterior justamente para equilibrar essa produção excedente.

Do lado dos custos, o cenário também exige atenção. Enquanto os preços globais de ração e grãos seguem relativamente estáveis, itens como combustível e mão de obra agrícola vêm subindo de forma constante nas propriedades da região.

Até agora, esse aumento de custos operacionais tem sido absorvido pelos preços do leite ao produtor, que seguem historicamente elevados mesmo no período de menor produção sazonal — um fator que tem permitido manter as margens em patamares estáveis apesar da pressão inflacionária.

O que fica claro é que a folga que sustentou o setor até abril — preços fortes, custos ainda controláveis, exportações aquecidas — pode ser testada nos próximos meses.

Se o El Niño se confirmar com a intensidade esperada pelos meteorologistas, a pergunta deixa de ser sobre ritmo de crescimento e passa a ser sobre disponibilidade real de leite para exportação no pico da safra sul-americana, algo que interessa diretamente à cadeia leiteira brasileira, tanto pelo impacto direto das chuvas no sul do país quanto pelo reflexo que uma eventual escassez regional pode ter sobre o comércio internacional de lácteos.

*Produzido pela eDairyNews Br, com informações publicadas por eDairy News En

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