Um sítio familiar de Guaraciaba, no interior de Santa Catarina, conquistou três medalhas na 9ª edição do Prêmio Queijo Brasil, disputa que reuniu cerca de 2,7 mil produtos inscritos em diversas categorias e foi realizada na Vila Germânica, em Blumenau.
O Sítio Balbinot, localizado na Linha Perondi, participou da competição com quatro produtos e voltou para casa com três premiações: ouro, prata e bronze.
Por trás do resultado está uma lógica de produção que começa muito antes da fabricação do queijo. Segundo Aline Balbinot e Ulian de Valle, responsáveis pela propriedade, a genética dos animais, o manejo do rebanho, a alimentação das vacas, a produção do leite, os processos sanitários e de inspeção, além da comercialização e da divulgação dos produtos, são etapas conduzidas integralmente pela família — sem terceirização de nenhuma parte da cadeia.
Essa base produtiva explica, segundo os dois, por que os queijos do sítio variam de sabor ao longo do ano. Como o sistema de alimentação das vacas é baseado em pastagens complementadas por suplementação, cada estação imprime características diferentes ao leite e, consequentemente, ao produto final. Na prática, isso significa que nenhuma safra de queijo sai igual à anterior.
Três produtos, três histórias de família
O queijo que recebeu a medalha de ouro, batizado de Nona Irma, é uma homenagem à matriarca da família, responsável por iniciar a tradição de produção de queijos na propriedade. Ele passa por cerca de 60 dias de maturação e pertence à categoria dos queijos coloniais.
A prata ficou com o Doce de Leite Tia Bete, que leva o nome da mãe de Aline Balbinot e preserva a receita preparada tradicionalmente no fogão a lenha. Para manter essa característica artesanal mesmo em escala industrial, a família desenvolveu um equipamento próprio, projetado para reproduzir o movimento manual do cozimento lento, sem uso de aditivos como amido — uma escolha que torna o processo mais demorado e menos rentável, mas preserva o perfil original do doce.
Já o bronze foi conquistado pelo queijo Xodó, criação autoral de Ulian de Valle. Também colonial, ele se diferencia do Nona Irma por ser produzido com leite cru e apresentar maior cremosidade, características que o tornam bastante utilizado na gastronomia, especialmente em massas, risotos e hambúrgueres.
De 2010 às vitrines nacionais
A trajetória de formalização da produção no Sítio Balbinot começou em 2010, e desde então a família vem investindo continuamente em melhorias no processo produtivo. A entrada em concursos, no entanto, é mais recente: começou em 2022, quando o doce de leite da propriedade recebeu sua primeira premiação, em um concurso internacional.
Com o reconhecimento no Prêmio Queijo Brasil, o sítio soma agora um novo capítulo a essa estratégia de posicionamento, que combina qualidade de produto com identidade familiar — cada rótulo carrega o nome de alguém da família e a história por trás dele.
Produção, turismo e um clube de assinaturas
A propriedade não vive apenas da fabricação de queijos e doces. Há cerca de dois anos, o Sítio Balbinot recebe visitantes mediante agendamento, promove eventos gastronômicos mensais e realiza entregas de seus produtos em municípios da região, entre Descanso e São José do Cedro — inclusive por meio de um clube de assinaturas, que garante recorrência de vendas fora do circuito tradicional de feiras e mercados.
A conquista no Prêmio Queijo Brasil foi comentada por Aline e Ulian em entrevista ao programa Atualidades, da 103 FM, na qual os dois reforçaram o convite para que a comunidade conheça a propriedade e acompanhe de perto o processo de produção que resultou nas três medalhas.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Rádio 103 FM – São Miguel do Oeste – SC






