O produtor de leite que hoje calcula à mão a dieta do seu rebanho pode ter, a partir de 2027, uma alternativa pronta saindo direto de uma fábrica no Paraná.
É essa a promessa por trás de um dos movimentos mais relevantes do cooperativismo agropecuário brasileiro neste ano: a Castrolanda vai investir R$ 191,6 milhões em um novo complexo industrial em Castro (PR).
O anúncio foi feito durante a abertura do Agroleite, um dos eventos mais importantes da cadeia leiteira do país, e reúne três frentes que, à primeira vista, parecem desconectadas — mas que na prática formam um único projeto de agregação de valor: milho, nutrição animal e energia.
A peça pensada especificamente para o produtor é a Unidade de Dietas Bovinas (UDB), que receberá R$ 49,5 milhões. A fábrica vai produzir alimentos balanceados prontos para uso nas propriedades leiteiras, com o objetivo declarado de reduzir erros de manejo nutricional e diminuir o custo da alimentação animal dentro da fazenda.
Segundo o diretor-presidente da Castrolanda, Willem Berend Bouwman, a unidade nasce como “um modelo inovador que vai facilitar muito a vida do produtor rural, reduzindo as margens de erro no manejo da alimentação dentro da propriedade e diminuindo o custo da nutrição dos animais”.
A maior fatia do investimento, porém, vai para outro lugar: R$ 102,1 milhões serão aplicados em uma fábrica de tortilhas à base de milho, voltada ao mercado B2B e equipada com tecnologia altamente automatizada. A produção vai atender, inicialmente, um parceiro comercial da própria cooperativa. Fechando o pacote, uma central de energia de cerca de R$ 40 milhões vai abastecer todo o novo parque industrial — uma infraestrutura pensada, segundo a cooperativa, para sustentar expansões futuras.
O terreno escolhido não é aleatório: fica próximo a uma unidade da Cargill, em Castro, com acesso pela rodovia PR-090, e foi adquirido com espaço de sobra para receber novas plantas industriais nos próximos anos. A ideia da Castrolanda é transformar a área em um polo industrial permanente, não apenas em um projeto pontual.
Do ponto de vista econômico, os números projetados chamam atenção. A cooperativa estima gerar cerca de 80 empregos diretos com os novos empreendimentos, mas o efeito sobre o faturamento é o que sustenta a decisão: um incremento de aproximadamente R$ 85 milhões já em 2027, ano previsto para o início das operações, com projeção de chegar a R$ 310 milhões em 2030.
O investimento conta ainda com apoio do programa estadual Paraná Competitivo, voltado à atração de indústrias. Segundo dados apresentados pelo governo do Paraná durante o anúncio, cada R$ 1 investido por meio do programa pode gerar até R$ 3,79 em PIB para a economia do estado — um argumento que reforça o peso do projeto não só para a cooperativa, mas para a região de Castro como um todo.
O movimento da Castrolanda não é isolado. Ele confirma uma mudança de postura que vem se espalhando entre grandes cooperativas do Sul do Brasil: deixar de ser apenas receptoras da produção dos associados para se tornarem também processadoras industriais dessa matéria-prima.
Na prática, isso significa capturar margens que antes ficavam com terceiros, reduzir a dependência de commodities e, no caso específico da UDB, devolver parte desse ganho ao produtor na forma de uma ferramenta de manejo mais barata e mais precisa.
Para quem produz leite na região de Castro, o desfecho prático deste anúncio ainda está a alguns anos de distância — a operação da Unidade de Dietas Bovinas só deve começar em 2027. Mas o sinal já está dado: a cooperativa está apostando que agregar valor ao milho e ao leite dentro de casa é o caminho para sustentar a rentabilidade dos seus associados nos próximos anos.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Compre Rural






