No segundo dia do Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS) 2026, realizado no Distrito Anhembi, em São Paulo, e encerrado nesta quinta-feira (6/8), lideranças de cinco cadeias produtivas — aves, suínos, pecuária de corte, leite e pescados — se sentaram na mesma mesa para defender uma ideia comum:
A integração entre as cadeias como caminho para aumentar a competitividade do Brasil, ampliar sua presença no mercado global e fortalecer a imagem do país como fornecedor de alimentos.
Foi nesse painel que a cadeia do leite teve voz através de Guilherme Portela, presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios (Sindilat). Ele reconheceu que o Brasil ainda importa mais laticínios do que exporta e defendeu, na mesma linha do restante da mesa, mais integração dentro da própria cadeia leiteira, além da abertura de novos mercados. “Precisamos de liderança para mostrar caminhos e fortalecer o setor”, disse.
O restante do painel ajudou a desenhar o que essa integração já produziu em outras proteínas. O gerente de Agronegócios da ApexBrasil, Laudemir Müller, atribuiu a posição do Brasil entre os maiores exportadores de proteína animal à união entre entidades, produtores e governo. “Atendemos o mercado interno, aumentamos o consumo e batemos recordes de exportação. Isso é resultado de organização e tecnologia”, afirmou.
O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, reforçou que essa integração também passa por comunicação: para ele, o país precisa investir em mostrar ao mundo a biosseguridade, a sustentabilidade e a responsabilidade ambiental da produção nacional.
Os números apresentados por Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), deram dimensão ao que essa articulação entre elos já rendeu à carne bovina: US$ 20 bilhões em exportações e US$ 80 bilhões em vendas totais no último ano.
Segundo ele, as exportações não disputam espaço com o mercado interno — ajudam a sustentar toda a cadeia. Perosa também citou as barreiras comerciais enfrentadas pelo setor e a importância do diálogo entre países para superá-las.
O setor de pescados, representado por Eduardo Lobo, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (ABIPESCA), somou-se ao mesmo discurso: disse enxergar espaço para crescer bastante e citou negociações em andamento com o mercado europeu, com “confiança e otimismo alto”.
Um dado apresentado durante o evento reforça a base sobre a qual essa integração entre cadeias se apoia: o Brasil tem mais de 1,1 milhão de km² de áreas preservadas dentro de propriedades privadas, o que abre espaço para aumentar a produção de proteína animal — leite incluído — sem a necessidade de converter novas áreas.
Ao entrar nesse painel ao lado de aves, suínos, carne e pescado, a cadeia do leite deixou claro que também quer fazer parte do movimento de integração que vem sustentando o crescimento das exportações brasileiras de proteína animal.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por BRA 1






