ESPMEXENGBRAIND
7 ago 2026
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🐂 Um anúncio no Ceará está fazendo produtores de leite repensarem todo o negócio. Entenda o que está em jogo.
Ceará
🥛 De Quixadá ao Cariri, fazendeiros cearenses tomam uma decisão que pode redesenhar a pecuária local. Veja por quê.

No Sertão Central do Ceará, uma conta vem sendo refeita nas fazendas: a que compara o retorno da pecuária leiteira com o da pecuária de corte.

E o resultado está levando produtores tradicionalmente ligados ao leite a migrar para a criação de gado Nelore voltado ao abate.

O caso mais emblemático é o de Airton Carneiro, um dos nomes de referência do agronegócio cearense. Produtor de leite bovino, ele decidiu iniciar um programa de plantio de pastagens destinado à criação de Nelore para corte. A justificativa é direta: segundo ele, a atividade é mais rentável do que manter um rebanho leiteiro, cujos custos — incluindo os de pessoal — são consideravelmente mais altos do que os da pecuária de corte.

Carneiro toca duas propriedades no semiárido cearense: a fazenda Itaguaçu, de 1.500 hectares, em Quixadá, e a fazenda Descanso, de 700 hectares, em Quixeramobim.

Nelas, além do gado, ele também cultiva algodão em regime de sequeiro, dependendo exclusivamente da chuva — uma estratégia que lhe rende sucesso nos anos de boa pluviometria, mas também prejuízos quando a chuva falta. É essa mesma disposição a assumir risco que agora o move em direção ao boi de corte.

O plano já está desenhado: comprar bezerros Nelore ainda jovens, criá-los até atingirem 30 arrobas e, então, enviá-los ao confinamento.

Carneiro não é um caso isolado. Pequenos criadores da região do Cariri também têm acelerado a migração para a pecuária de corte, com destaque para as raças Nelore e Sindi. Em Brejo Santo, um pecuarista de médio porte — que prefere não se identificar — já consolidou esse modelo: compra bezerros Nelore, confina, engorda e vende os animais para o grupo Masterboi, que opera um frigorífico no município pernambucano de Canhotinho.

Esse produtor é hoje citado na região como referência a ser seguida, e é justamente esse caminho que Airton Carneiro pretende reproduzir em suas próprias fazendas.

Por trás dessa movimentação está um fator comum a todos os relatos: o anúncio da construção de um novo frigorífico do grupo Masterboi em Iguatu, cuja operação está prevista para abater 1 mil bovinos por dia.

Produtores de diferentes regiões do Ceará, ouvidos separadamente, foram unânimes ao afirmar que a chegada dessa planta industrial vai mudar radicalmente o perfil da pecuária no estado — e, pelo ritmo das conversas nas fazendas, essa transformação está avançando mais rápido do que se esperava.

Para a cadeia leiteira, o episódio funciona como um alerta direto: quando o corte oferece retorno mais previsível e custos operacionais mais baixos, produtores de leite — mesmo os mais experientes, como Airton Carneiro — não hesitam em redirecionar pasto, capital e mão de obra para o boi.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Diário do Nordeste

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