ESPMEXENGBRAIND
18 ago 2026
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18 ago 2026
Uma decisão que promete reduzir custos e tempo de espera para quem vive da produção leiteira 🥛
leite
O que antes exigia enviar amostras para outra região do país agora poderá ser feito dentro do próprio estado 🧪

Durante anos, quem produzia leite no Ceará conhecia bem esse fluxo: coletar as amostras, embalar, enviar para análise em laboratórios das regiões Sul ou Sudeste do país, e esperar.

Esperar pelo transporte, pelo processamento e pelo resultado que definiria se aquele lote atendia às exigências regulatórias. Cada etapa desse trajeto significava tempo perdido, custo logístico e um risco constante para a qualidade da amostra até chegar ao destino.

Essa realidade está mudando. A Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) acaba de entregar à indústria cearense uma nova estrutura de laboratórios do SENAI Ceará, construída em padrão nacional e com investimentos acumulados superiores a R$ 6 milhões na área de alimentos.

Entre os quatro laboratórios que compõem o complexo, um é dedicado exclusivamente à qualidade do leite, responsável pelos ensaios microbiológicos e de composição química do leite cru — e já preparado para futura integração à Rede Brasileira de Laboratórios de Controle da Qualidade do Leite (RBQL).

Na prática, isso significa que laticínios e produtores cearenses poderão realizar no próprio estado análises que antes só existiam em outras regiões. O impacto mais imediato recai sobre a cadeia leiteira, que via nesse deslocamento uma barreira direta à agilidade e à competitividade.

José Antunes Fonseca da Mota, presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios do Ceará (Sindlacticínios-CE), descreveu a conquista como o fim de um pleito antigo do setor: agora, os serviços passam a estar disponíveis “com muito mais agilidade, economia e ganho de qualidade”, segundo ele, beneficiando desde os pequenos laticínios até toda a indústria de alimentos.

Em reconhecimento a essa articulação, o laboratório de qualidade do leite recebeu justamente o nome de José Antunes Fonseca da Mota.

Os outros três laboratórios do complexo completam a estrutura: um voltado à Pesquisa e Desenvolvimento de Alimentos, para criação de novas formulações, estudos de vida de prateleira e rotulagem nutricional; outro de Microbiologia de Alimentos; e um de Físico-química de Alimentos e Bebidas.

Juntos, permitem atender às exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).

Para o presidente da FIEC, Ricardo Cavalcante, a mudança é estrutural. “Hoje, estamos entregando uma estrutura que atende não apenas a indústria, mas também os produtores rurais.

Nosso objetivo é melhorar a qualidade dos produtos, aumentar a competitividade e permitir que empresas de todos os portes tenham acesso, aqui mesmo no Ceará, a serviços que antes precisavam buscar em outros estados”, afirmou. Cavalcante também lembrou que a implantação da estrutura nasceu de uma demanda apresentada pelo próprio setor produtivo.

O gerente do Centro de Serviços Industriais, Carlos Mesquita, reforçou que a estrutura foi planejada para atender não apenas o Ceará, mas toda a região Nordeste, incluindo o pequeno produtor rural. “Ao fortalecer esse produtor, fortalecemos toda a cadeia industrial.

Também reduzimos custos, aumentamos a velocidade das análises e contribuímos para que as empresas tenham produtos de maior qualidade e mais competitivos”, explicou.

O momento também é estratégico do ponto de vista econômico. O setor de alimentos e bebidas é o maior da indústria brasileira, tendo movimentado R$ 1,39 trilhão em 2025 — cerca de 11% do PIB nacional e mais de 2,1 milhões de empregos diretos.

No Ceará, o segmento produziu R$ 19,6 bilhões no mesmo período, reúne aproximadamente 1,5 mil empresas e responde por mais de 52 mil empregos formais, sendo hoje o segundo maior conjunto industrial do estado.

O diretor regional do SENAI Ceará e superintendente do SESI Ceará, Paulo André Holanda, apresentou números que mostram a evolução da unidade nos últimos anos: os serviços tecnológicos prestados saltaram de cerca de R$ 6 milhões em 2021 para R$ 38 milhões no ano passado, somando consultorias, serviços tecnológicos e inovação.

“Este Centro de Serviços Industriais tornou-se um modelo para o Brasil”, afirmou, agradecendo também a parceria do Departamento Nacional do SENAI.

Ao todo, 13 sindicatos industriais devem ser beneficiados diretamente pelos novos laboratórios: Sindbebidas, Sindialimentos, Sindlacticínios, Sindsorvetes, Sindpan, Sindcafé, Sindicaju, Sindmassas, Sindtrigo, Sindsal, Sindóleo, Sindfrio e Sindembalagens.

A entrega dos laboratórios também marcou a oficialização de uma mudança de identidade: a unidade, antes chamada Instituto SESI SENAI de Tecnologia, passa a se chamar Centro de Serviços Industriais (CSI) Prof. Ariosto Holanda, dentro de um projeto nacional de padronização da Rede SENAI — sem alteração de estrutura, equipe ou portfólio de serviços.

A propósito, foi justamente a equipe cearense que o SENAI Nacional procurou para elaborar o Guia Nacional para Implantação dos Centros de Serviços Industriais, documento que vai orientar unidades de todo o país.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Badalo

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