A cadeia do leite em Minas Gerais tem no queijo um dos seus principais destinos — e boa parte desse queijo termina virando pão de queijo.
Em 2025, quase metade do leite inspecionado no estado, 48,5%, foi direcionado à fabricação de queijos, segundo dados do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados no Estado de Minas Gerais (SILEMG). No mesmo ano, Minas produziu cerca de 9,78 bilhões de litros de leite, volume que sustenta essa demanda.
O peso do estado na captação nacional de matéria-prima reforça essa dinâmica. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) citados pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Minas liderou em 2025 a aquisição de leite cru por estabelecimentos sob inspeção, respondendo por 23,9% de toda a captação do país.
Essa produção é sustentada por uma base de aproximadamente 134 mil produtores que fornecem leite para processamento industrial e por 775 estabelecimentos de laticínios em operação no estado.
O resultado dessa combinação — grande volume de leite, forte destinação a queijos e tradição na fabricação de pão de queijo — coloca Minas Gerais como responsável por cerca de dois terços de toda a produção brasileira do item, que soma aproximadamente 892,5 mil toneladas por ano em todo o país, conforme estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip).
Esse movimento não fica restrito ao leite e ao queijo. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), apresentados pela FIEMG, o setor de alimentos em Minas Gerais movimentou R$ 164,5 bilhões em 2025, o equivalente a 11,9% de toda a produção brasileira de alimentos. O segmento reúne quase 7 mil empresas no estado e gera cerca de 247 mil empregos diretos.
Na outra ponta da cadeia estão as padarias, que absorvem essa produção e a transformam em ponto de venda direto ao consumidor. Minas Gerais conta com mais de 33 mil empresas ativas no setor de panificação e confeitaria. De acordo com a Associação Mineira da Indústria de Panificação (Amipão), o pão de queijo está entre os produtos mais vendidos nesses estabelecimentos, perdendo em volume apenas para o pão francês em muitos casos.
A variedade de formatos também tem ampliado as ocasiões de consumo do produto. Além das versões tradicionais, ganharam espaço opções recheadas, diferentes tamanhos e preparações como waffles de pão de queijo.
A versão congelada segue como fator relevante para a presença constante nas padarias: por poder ir direto do congelador ao forno, ela exige menos etapas de preparo do que outros produtos congelados de panificação, o que facilita a operação das empresas.
Do lado produtivo, o setor também tem investido em ganhos de eficiência ao longo de toda a cadeia. Equipamentos que reduzem etapas manuais têm facilitado a fabricação em maior escala, enquanto tecnologias aplicadas ao polvilho diminuem a dependência das condições climáticas durante a secagem. Pesquisas relacionadas ao cultivo da mandioca também vêm permitindo que a produção se expanda para novas regiões.
Por outro lado, custos com energia, transporte e mão de obra seguem pressionando diferentes elos dessa cadeia — da produção de leite e derivados até a fabricação e comercialização final do pão de queijo, o que pode repercutir no preço ao consumidor.
Celebrado nesta segunda-feira (17), o Dia Nacional do Pão de Queijo termina, assim, funcionando como um retrato da força econômica que conecta o produtor de leite mineiro ao balcão das padarias em todo o Brasil.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Tribuna de Minas






