Na década de 1930, o queijo de coalho da família Tenório era feito num espaço da fazenda chamado “quarto do queijo”.
Hoje, a propriedade, em Pedra, no Agreste Meridional de Pernambuco, produz cerca de 400 quilos por dia e vende para além do estado. Agora abriu as portas também para visitantes.
O caminho até aqui foi gradual. O foco comercial veio em 2003. Em 2018, os cofundadores Levi Tenório Vaz Filho e Romeika Galindo Cavalcanti Vaz formalizaram a marca Caboclo Fazenda e Laticínio e estruturaram a fábrica dentro das exigências legais. No ano seguinte, começou a diversificação: investimento em variações do coalho tradicional.
O resultado são seis linhas: coalho artesanal, temperado, trufado, zero lactose, snacks e manteiga ghee. Entre as releituras está o trufado com carne de sol. A linha de desidratados é a que levou a marca a outros estados.
A expansão começou nas cidades vizinhas a Pedra e chegou a Recife, Garanhuns, Petrolina e Vitória de Santo Antão. Nesse movimento entraram as feiras. Com apoio do Sebrae/PE, a Caboclo participa da Feira do Empreendedor e do Espaço Queijos e Vinhos do Festival de Inverno de Garanhuns (FIG). Segundo a empresa, os eventos abriram novas conexões comerciais e acesso a mercados além do Agreste.
Por trás do portfólio está uma decisão de processo. A fazenda usa leite próprio e controla tudo, do manejo do rebanho ao produto embalado. “O nosso diferencial está na qualidade”, diz Romeika. Ela afirma que a proposta é oferecer algo diferente ao cliente.
Foi essa cadeia fechada que a família decidiu mostrar. A propriedade recebe grupos para trilhas pelas paisagens do Agreste Meridional e degustação dos derivados feitos no local. O turismo gastronômico funciona como fonte de renda adicional e aproxima o consumidor da origem do produto. “Temos um local especial, com belas paisagens e uma sede acolhedora. Isso acaba se tornando um atrativo a mais e agrega valor à nossa produção”, afirma Romeika.
O movimento acontece num setor de grande escala. O Agreste produz cerca de 250 mil quilos de queijo de coalho por dia, segundo Romildo Albuquerque Bezerra, presidente da Associação de Certificação do Queijo Coalho da Região do Agreste de Pernambuco. O estado produz cerca de 3,5 milhões de litros de leite por dia e lidera o Nordeste.
Romildo lembra que o primeiro queijo de coalho foi feito em 1584 e que a tradição continua. Segundo ele, hoje os consumidores procuram queijos com garantia de origem. É nessa direção que caminha o processo de Indicação Geográfica (IG) do queijo de coalho do Agreste e do Sertão do Araripe, acompanhado pelo Sebrae/PE e pela Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe). Para uma marca como a Caboclo, que construiu sua estratégia em torno da origem controlada e do leite próprio, a certificação pode abrir uma nova etapa de acesso a mercados.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Movimento Econômico






