O Brasil pode estar mais perto de aplicar uma tarifa antidumping contra o leite em pó importado do Mercosul.
A proposta está na fase de avaliação de interesse público, com prazos definidos pela Circular Secex 62/2026, e voltou à mesa durante a reunião da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), realizada na terça-feira (15) em Brasília.
O encontro reuniu representantes da cadeia produtiva e técnicos especializados, e não tratou apenas de comércio exterior. Sanidade, gestão de risco financeiro e qualidade do leite completaram uma pauta que, somada, dá uma boa ideia de onde a produção leiteira brasileira pretende avançar nos próximos meses.
Na frente sanitária, a CNA apresentou propostas de controle de brucelose e tuberculose construídas a partir de workshops realizados em 2025 e 2026. As discussões trataram da segurança das vacinas disponíveis, das limitações dos testes atuais e da necessidade de estratégias integradas para avançar na erradicação dessas duas doenças no país. Entre as medidas propostas estão melhorias no Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal (PNCEBT), a revacinação voluntária nos estados e incentivos para a certificação de propriedades livres das doenças. O presidente da comissão, Jônadan Ma, definiu essas propostas como um ponto de partida para aprimorar o programa, com dois objetivos diretos: aumentar a renda do produtor e reduzir a burocracia que hoje pesa sobre ele.
A gestão de risco financeiro também entrou na pauta pela mão de Marianne Tufani, consultora em gestão de riscos da StoneX. Ela explicou que combinar a proteção de preço do leite com a de insumos como o milho permite um planejamento mais eficaz e previsível para o produtor. Tufani destacou ainda a possibilidade de contratos personalizados no mercado de balcão, com ajustes diários, mas fez uma ressalva importante: no Brasil, a cultura de gestão de riscos ainda está em desenvolvimento, o que limita a adoção mais ampla dessas ferramentas.
Já na discussão sobre qualidade, Leonardo Agostini Novo, do Ministério da Agricultura, apresentou o Observatório da Qualidade do Leite, atualizado após solicitações da própria CNA. A apresentação reforçou a importância de iniciativas de melhoria na origem da produção e o papel do Plano de Qualificação de Fornecedores de Leite nesse processo.
O que a reunião deixa claro é que a cadeia leiteira brasileira está lidando, ao mesmo tempo, com três frentes que raramente aparecem juntas: a defesa comercial diante do leite em pó do Mercosul, o avanço sanitário como caminho para reduzir custos e burocracia, e a incorporação de ferramentas financeiras ainda pouco difundidas entre os produtores. O desfecho da avaliação de interesse público sobre a tarifa antidumping, dentro dos prazos da Circular Secex 62/2026, será o primeiro desses pontos a ter uma definição concreta.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Boca Noticias






