ESPMEXENGBRAIND
17 set 2026
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17 set 2026
Um número revelado em Sergipe pode comprometer o futuro de dezenas de laticínios locais 🐄
FAO
Um projeto em Nossa Senhora da Glória escancarou um problema que vai muito além da falta de recursos 🥛

O mundo vai precisar produzir 70% mais alimentos de origem animal até 2050 para alimentar a população global, segundo estimativa da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Para os pesquisadores da entidade, isso só será possível com mais eficiência nas propriedades rurais, não apenas com mais produção bruta. É diante desse cenário que um número levantado em Sergipe acende um sinal de alerta: 83,49% das empresas brasileiras têm conhecimento limitado ou inexistente sobre economia circular, de acordo com o estudo Engajamento dos Pequenos Negócios Brasileiros às Práticas de Economia Circular, de 2024.

A conta é simples e preocupante ao mesmo tempo: se a demanda por leite e derivados vai crescer com os recursos naturais cada vez mais escassos, o modelo linear de produção — aquele em que os resíduos simplesmente saem do ciclo produtivo sem retorno — já não sustenta o ritmo que o mercado vai exigir. E é justamente essa lacuna de conhecimento que o Sebrae tenta atacar em Sergipe, começando pelos laticínios de Nossa Senhora da Glória, no Alto Sertão do estado.

A entidade apresentou aos produtores locais, durante um workshop no Escritório Regional do município, uma proposta para implementar a lógica da economia circular na cadeia produtiva do leite sergipana. Na prática, isso significa repensar o uso de matérias-primas, embalagens, energia e água para reduzir desperdícios e, ao mesmo tempo, transformar o que antes era descartado em fonte de receita.

“Em vez de encerrar o ciclo no descarte, a economia circular busca prolongar a vida útil dos produtos e reintegrar materiais à cadeia produtiva. Assim, aquilo que antes seria considerado sobra, perda ou resíduo pode se transformar em insumo, economia ou até em uma nova fonte de receita”, explica o consultor internacional do Sebrae, Emílio Beltrami.

Antes de levar a proposta ao papel, a equipe do Sebrae visitou diversos laticínios da região para entender como cada produtor lida com a entrada de matéria-prima, o ciclo de vida dos produtos e a gestão de resíduos — e, principalmente, para medir o quanto esses empresários já sabiam sobre o tema. Segundo Beltrami, os ganhos possíveis vão além do meio ambiente: “Dentro de um laticínio é possível, por exemplo, melhorar o uso da água, energia, embalagens e subprodutos, adotar processos que diminuam perdas na produção e transporte, coordenar todos os elos da cadeia, desde a matéria-prima ao produto final, além de melhorar o controle sanitário.”

O consultor também aponta um caminho complementar: transformar essas estruturas em fábricas inteligentes, com digitalização e automação de processos por meio de dados, sensores e sistemas de gestão. A ideia é monitorar a produção, controlar a qualidade em tempo real, otimizar a logística e adaptar os produtos às novas exigências de consumo — tudo caminhando junto com a lógica circular.

Com base no diálogo direto com os produtores de Nossa Senhora da Glória, o Sebrae está fechando uma proposta de atuação que será apresentada em um seminário marcado para 5 de novembro, no próprio município. “A nossa meta é agregar inovação, sustentabilidade e melhorar a competitividade desses empreendimentos. O mercado tem valorizado empresas que demonstram responsabilidade, eficiência e compromisso com soluções mais inteligentes, e os pequenos negócios precisam estar atentos a esse cenário”, afirma Luís Nakanishi, analista técnico do Sebrae.

O desafio, no entanto, segue sendo cultural antes de ser técnico. Com quase 84% das empresas ainda alheias ao conceito, a corrida para colocar a economia circular na rotina dos laticínios sergipanos começa, na prática, pela informação — antes mesmo de chegar às máquinas, sensores ou processos.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Agência Sebrae de Notícias

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