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18 set 2026
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Em Miguel Calmon, o custo de produção de leite foi aberto diante de produtores e especialistas, e uma pergunta ficou no ar: o dever de casa está feito? 📊
Do semiárido à planilha: o custo de produção de leite reuniu produtores, técnicos e pesquisadores em Miguel Calmon 🥛
Do semiárido à planilha: o custo de produção de leite reuniu produtores, técnicos e pesquisadores em Miguel Calmon 🥛

O custo de produção de leite no Nordeste esbarra em um ponto específico: as propriedades típicas da região ainda têm dificuldade de ganhar produtividade suficiente para diluir os custos fixos.

O diagnóstico foi apresentado na quinta-feira (17), em Miguel Calmon (BA), pelo pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) Giovanni Penazzi, durante mais um Circuito de Resultados do Projeto Campo Futuro.

Segundo ele, os dados da Bahia mostram uma atividade relativamente competitiva dentro do Nordeste. Ainda assim, o desafio de elevar a produtividade continua, e não vem sozinho: além dos custos fixos, pesam os desembolsos com nutrição animal e com a produção de volumoso.

É justamente o volumoso que pode piorar a situação. De acordo com Penazzi, produzir essa base da alimentação fica ainda mais difícil nas condições do agreste, principalmente diante da perspectiva de início do El Niño. O risco, segundo o pesquisador, é comprometer a capacidade do produtor de manter as margens da atividade.

Diante desse quadro, a discussão no evento foi menos sobre planilhas e mais sobre o que fazer com elas. O consultor técnico da Rehagro Rafael Ferraz defendeu que as informações de custo precisam estar conectadas às decisões de manejo e à rotina das propriedades. Para ele, o produtor deve saber onde está do ponto de vista de custo e como agir no dia a dia, com um objetivo claro: mais lucro e rentabilidade. Os números, disse, devem servir de direcionamento para melhores resultados.

O presidente do Sindicato Rural de Miguel Calmon, Cau Batista, foi na mesma linha, mas pelo lado de quem está na porteira. Para ele, o circuito ajuda o produtor a conhecer os números da atividade e a entender a gestão da propriedade. “É um trabalho que mostra a nossa realidade e que nos faz refletir como produtores se estamos produzindo e fazendo o dever de casa”, afirmou.

Na abertura, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb) e vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Humberto Miranda, chamou atenção para o potencial do semiárido e para a necessidade de organização. “A fronteira das regiões semiáridas do mundo é a mais desafiadora, mas também a mais produtiva”, disse. Na avaliação dele, é preciso cuidar do solo, preparar os animais e organizar os produtores para que consigam mudar a atividade leiteira.

O circuito, promovido pela CNA em parceria com a Faeb, apresentou os custos de produção da bovinocultura de leite da região Nordeste e reuniu produtores rurais, técnicos e representantes de sindicatos, associações e instituições de pesquisa. A programação incluiu ainda palestras sobre o mercado do leite e os desafios da cadeia produtiva, sobre oportunidades para produtores e laticínios, e uma mesa-redonda.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Portal CNA Brasil

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