Todos os dias, mais de 2 milhões de litros de leite passam pelas unidades da Lacticínios Tirol, distribuídas entre Santa Catarina e o Paraná.
O número, informado pela própria empresa, marca a distância entre o presente da companhia e seu ponto de partida: uma captação diária de apenas 80 litros. Entre um marco e outro, uma multiplicação de mais de 25 mil vezes que ajuda a explicar por que a marca nascida em Treze Tílias, no Meio-Oeste catarinense, hoje figura entre os grandes nomes do setor lácteo nacional.
A base dessa trajetória foi construída antes mesmo de existir indústria. Treze Tílias nasceu da chegada de famílias do Tirol austríaco, que deixaram a Europa durante a crise econômica do período entreguerras. Segundo a Lacticínios Tirol, esses imigrantes se tornaram produtores de leite já nos primeiros anos da colônia, e a atividade leiteira se firmou como o principal motor econômico do município — muito antes de virar negócio em escala industrial.
A virada veio em 1974, por iniciativa do padre austríaco Johann Otto Küng. Com experiência prévia na produção de leite, ele identificou semelhanças entre o relevo e o clima de Santa Catarina e os da região que sua família havia deixado para trás — e foi esse diagnóstico que deu origem ao projeto industrial.
A modernização se aprofundou décadas depois: em 2005, a empresa inaugurou uma nova unidade em Treze Tílias equipada com maquinário importado da Suécia e da Alemanha, colocando em funcionamento sua primeira linha de leite em pó.
Hoje a operação está descentralizada em três unidades produtivas — Treze Tílias, Pinhalzinho e Ipiranga, no Paraná —, sustentadas por uma rede de 21 pontos de captação espalhados por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná.
É essa estrutura que vem sendo ampliada: conforme dados da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), a Tirol está construindo em Pinhalzinho uma nova fábrica voltada à produção de leite em pó e proteína do leite, com investimento estimado em R$ 200 milhões.
O crescimento industrial, no entanto, não apagou outras marcas da colonização tirolesa na cidade. Segundo o portal de turismo local, a tradição da escultura em madeira remonta a 1933, quando o fundador da colônia, Andreas Thaler, encomendou ao irmão Georg Thaler um presépio esculpido para a primeira missa de Natal do povoado — origem do título de Capital Catarinense dos Escultores e Esculturas em Madeira, reforçado depois pela chegada, em 1935, do artista Josef Moser, formado na Academia de Artes de Munique.
É um lembrete de que, em Treze Tílias, a mesma herança que hoje sustenta uma das maiores indústrias lácteas do país segue viva também fora das fábricas.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Compre Rural






