ESPMEXENGBRAIND
21 set 2026
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Novas tecnologias ajudam produtores a analisar dados em tempo real e capturar mais valor por litro produzido.
IA
Produtores e cooperativas que adotarem a inteligência artificial liderarão um novo ciclo de eficiência na pecuária.

O estudo recente “O Impacto da Inteligência Artificial na Economia Brasileira”, publicado pelo centro de pesquisa Reglab neste mês de agosto, estima que a IA deve gerar R$ 48,2 bilhões ao agronegócio brasileiro até 2030.

Na pecuária leiteira, esse ganho não virá do aumento do rebanho, mas da eficiência analítica apoiada por novas tecnologias. Hoje, a inteligência de dados já permite que o produtor rural aumente sua rentabilidade financeira sem precisar colocar mais uma única vaca no pasto.

Por décadas, a remuneração do leite seguiu uma lógica simples: mais volume, mais receita. Essa conta, no entanto, já não fecha como antes. Os custos com ração, sanidade e manejo subiram de forma constante, e quem mede apenas litros vê a margem se estreitando a cada safra.

A verdadeira virada de chave do setor está na qualidade do leite.

O monitoramento de parâmetros como teor de gordura, proteína e indicativos de saúde do animal por meio da contagem de células somáticas garante bonificações por litro que elevam a margem líquida da atividade.

Qualidade do leite aumenta valor da produção

Essa mudança atende a uma reorganização da própria cadeia produtiva. Laticínios e cooperativas vêm adaptando suas políticas de pagamento para premiar a matéria-prima diferenciada, impulsionados por um consumidor que exige cada vez mais transparência e nichos específicos.

É o caso, por exemplo, do leite A2, proveniente de vacas com genética selecionada para produzir apenas a proteína beta-caseína A2, que possui melhor digestibilidade e reduz desconfortos gástricos. Um tipo de leite cada vez mais valorizado pelo mercado.

Esse ganho, inclusive, é quantificável. Uma das principais tendências da cadeia é a adoção de modelos de pagamento que consideram o teor de sólidos do leite, especialmente gordura e proteína, valorizando uma matéria-prima de maior qualidade e com melhor aproveitamento industrial.

De acordo com dados do Conseleite (Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Rio Grande do Sul), atingir os melhores índices de qualidade exigidos pela indústria garante um potencial de bonificação entre R$ 0,25 e R$ 0,36 por litro, representando de 10% a 15% a mais no valor total pago ao produtor, um aumento significativo nas margens.

Tecnologia acelera análise da produção

O grande obstáculo nisso é o tempo. Um laudo de laboratório convencional pode levar até duas semanas para retornar à propriedade. Quando o resultado chega, a janela para corrigir a dieta do rebanho ou evitar a contaminação de um tanque já passou.

É nesse ponto que entram as novas tecnologias para análises no campo. Hoje, já é possível verificar a qualidade do leite na hora da coleta, na própria fazenda, com resposta em poucos minutos.

A resposta ágil permite ao produtor mais tempo para correção da rota.

É justamente essa capacidade de transformar dados em tempo real em rentabilidade sustentável que definirá o rumo da pecuária.

Produtores e cooperativas que adotarem a inteligência artificial como ferramenta diária de gestão não apenas protegerão suas margens contra as oscilações do mercado, mas liderarão um novo ciclo de eficiência na pecuária.

O valor do leite não está mais retido apenas no volume do tanque, mas na inteligência agregada a cada gota.

*Paula Dalla Vecchia é cofundadora e diretora de Operações e Pesquisa da Zeit e doutora em Química Analítica pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Exame

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