A nova fábrica de queijos no Paraná foi projetada para processar até 1,2 milhão de litros de leite por dia e usa um sistema de membranas que atua antes da fabricação da mussarela.
Uma fábrica de queijos no Paraná passou a operar com uma tecnologia da Tetra Pak que interfere em uma etapa anterior à fabricação da mussarela. Em São Jorge d’Oeste, a nova unidade do Grupo Piracanjuba utiliza um sistema de membranas para ajustar a proporção entre caseína e gordura do leite recebido.
Segundo a Tetra Pak, é a primeira instalação desse tipo da empresa em operação no Brasil.
O detalhe é relevante porque a tecnologia não está associada apenas ao funcionamento dos equipamentos da fábrica. Ela atua sobre a própria matéria-prima antes que ela chegue à fabricação do queijo.
A unidade tem 54 mil m² de área construída e capacidade para processar até 1,2 milhão de litros de leite por dia. Atualmente, produz manteiga e queijo mussarela, tanto em peças quanto fatiado.
O que acontece com o leite antes de virar queijo
O sistema de membranas é uma das principais particularidades tecnológicas da planta. De acordo com o material da Tetra Pak citado na fonte, esse tipo de filtração permite fracionar os componentes do leite sem utilizar calor.
Na nova unidade, a tecnologia é utilizada para ajustar a proporção entre caseína e gordura. Esse controle está diretamente relacionado à padronização da mussarela produzida na fábrica.
A planta também recebeu sistemas para receber e armazenar o leite, estocar soro, realizar a higienização das linhas pelo sistema CIP, além de equipamentos para pasteurização e padronização.
Ou seja, a tecnologia não aparece em um único ponto da operação. Ela faz parte de uma estrutura industrial pensada para controlar diferentes etapas do processamento.
A tecnologia entrou no projeto antes dos equipamentos
A participação da Tetra Pak começou ainda na fase de engenharia. A empresa conduziu um Engineering Work Agreement (EWA), reunindo especialistas do Brasil e de outros países com uma equipe multidisciplinar da Piracanjuba.
O trabalho serviu para definir capacidade produtiva, fluxos de processo e escolha dos equipamentos antes da instalação da estrutura industrial.
Esse planejamento ajuda a explicar uma característica da unidade: ela não foi concebida apenas para a produção atual. A estrutura já foi preparada para receber novas linhas de produção.
A capacidade instalada chega a 39,4 mil toneladas de mussarela e 7,9 mil toneladas de manteiga por ano.
Uma fábrica que já nasce olhando para a próxima etapa
O investimento total no complexo chegou a R$ 612 milhões. A obra começou em dezembro de 2021 e gerou cerca de 250 empregos diretos na região.
Mas o projeto não termina na primeira fábrica.
Na mesma área, o grupo avança com uma segunda planta destinada à produção de concentrados proteicos de soro e lactose em pó. O projeto conta com financiamento de R$ 499 milhões do BNDES, embora o grupo ainda não tenha informado quando a operação começará.
A primeira unidade também recupera água utilizada no processo e produz biogás para gerar parte da energia consumida.
Assim, o caso de São Jorge d’Oeste mostra uma mudança importante na lógica da planta: a tecnologia não entra apenas para automatizar equipamentos ou aumentar a capacidade. Neste caso, ela também atua sobre o leite antes de o produto chegar à etapa de fabricação do queijo.
E é justamente nessa etapa que está uma das principais novidades da unidade: a possibilidade de trabalhar a composição do leite para buscar maior padronização da mussarela em uma operação industrial de grande escala.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Automação Industrial






