A Agroleite 2026 abriu as portas nesta segunda-feira (3/8) em Castro, no Paraná, com uma expectativa de movimentar R$ 500 milhões em negócios ao longo da semana — praticamente metade do valor registrado na edição anterior.
A feira, promovida pela Cooperativa Castrolanda, segue até o dia 7 de agosto com entrada gratuita no Parque Tecnológico Agroleite e no Parque Dario Macedo, em Castro, conhecida como a Capital Nacional do Leite.
O recuo na projeção reflete o momento delicado vivido pela cadeia produtiva. Segundo Willem Bouwman, presidente da Castrolanda, em entrevista à Globo Rural, o setor agropecuário brasileiro atravessa dificuldades que também atingem diretamente a produção de leite. Para o dirigente, o produtor rural neste momento está mais voltado à busca de conhecimento, informação e tecnologia do que à realização de novos investimentos em suas propriedades.
Entre os fatores apontados por Bouwman como entraves para a atividade leiteira estão a entrada de leite em pó importado no mercado brasileiro e as altas taxas de juros aplicadas ao setor. A isso se soma o custo elevado de insumos como fertilizantes, sementes e óleo diesel, que encarece a produção de alimentos de forma geral.
O presidente da cooperativa lembra ainda que boa parte dos produtores já está endividada em razão de investimentos feitos nos últimos anos, o que reduz a margem financeira para novos aportes.
Os números da edição passada ajudam a dimensionar o tamanho da retração esperada. Em 2025, a Agroleite bateu recorde histórico, com R$ 969 milhões em negócios gerados, 370 empresas expositoras, 650 animais expostos e 163 mil visitantes — um resultado que, segundo Bouwman, surpreendeu a própria organização e quase dobrou o que havia sido previsto inicialmente. Na comparação com 2024, quando o evento movimentou R$ 520 milhões, o salto foi de 86%.
Para 2026, a organização espera reunir cerca de 400 empresas expositoras, em torno de 600 animais e um público estimado em 170 mil pessoas — números de público e expositores próximos ou superiores aos do ano anterior, ainda que a expectativa de negócios seja mais conservadora.
Apesar do cenário mais cauteloso para o setor, a Castrolanda segue investindo na estrutura do evento. Nesta edição, a cooperativa destinou aproximadamente R$ 11 milhões para a expansão do Parque Tecnológico Agroleite, recursos aplicados na construção de novas casas para empresas parceiras, na ampliação da Arena Conexão, em melhorias de infraestrutura e em serviços de apoio aos visitantes.
O objetivo, segundo a organização, é consolidar o parque como um ecossistema ativo durante todo o ano, integrando empresas, produtores, instituições de ensino e organizações ligadas à cadeia do leite.
Esse investimento se soma a um plano ainda maior, já anunciado anteriormente: cerca de R$ 100 milhões destinados à ampliação do parque tecnológico, com parceiros públicos e privados, incluindo a construção de um Centro de Excelência de Bovinocultura de Leite e de um Laboratório de Biotecnologia de Leite.
A programação da semana inclui atividades técnicas, exposição e julgamento de animais das raças holandesa e jersey, o tradicional Torneio Leiteiro, dinâmica de máquinas, palestras, fóruns e painéis sobre tecnologias, soluções e tendências para a pecuária leiteira.
O Seminário Internacional do Leite, além de fóruns de Agricultura e Suinocultura, também fazem parte do calendário, junto de atividades interativas, visitas a propriedades produtoras de leite com alta eficiência e premiações — características que consolidaram o evento como a principal vitrine de tecnologia da cadeia do leite na América Latina.
A edição deste ano também tem um significado especial para a cooperativa: a Castrolanda completa 75 anos em 2026 e adotou o lema “movidos por um legado” para o evento. A pecuária leiteira foi a primeira atividade econômica da cooperativa, iniciada com animais puros de origem trazidos pelos imigrantes holandeses que fundaram a região, hoje uma das mais relevantes áreas produtoras de leite do país.
Atualmente, a Castrolanda produz cerca de 568,975 milhões de litros de leite por ano, volume 6,1% maior do que o registrado em 2024. A cooperativa atua também em outras três cadeias de negócio — grãos, carnes (suínos e ovinos) e batata —, com unidades no Paraná, em São Paulo e no Tocantins, reunindo mais de 1.200 cooperados.
Serviço:
- Agroleite 2026
- Data: 3 a 7 de agosto
- Local: Parque Tecnológico Agroleite e Parque Dario Macedo – Castro (PR), Capital Nacional do Leite
- Entrada gratuita
- Informações: agroleitecastrolanda.com.br
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Globo Rural






