Doação de alimentos para o gado foi o plano de ação emergencial; agora é preciso traçar políticas de apoio à cadeia leiteira.
outras medidas para ajudar o setor leiteiro foram encabeçadas pelo Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat).
Outras medidas para ajudar o setor leiteiro foram encabeçadas pelo Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat).

A cadeira leiteira gaúcha terá um longo percurso para se restabelecer após as enchentes. O setor concentra perdas que vão desde a morte de animais, desperdício da matéria-prima, dificuldades logísticas e escassez de alimentação para o gado. A recuperação está ocorrendo por partes. Concomitante ao levantamento dos estragos, começou a ser articulada ajuda aos criadores de gado leiteiro.

A corrente de solidariedade que ajudou moradores da cidade se repetiu no campo. O secretário-ajunto de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Márcio Madalena lembra de ações articuladas pela Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), como alguns dos exemplos de apoio que se iniciaram logo após a enchente.

O fornecimento de alimentação está sendo a medida emergencial aos criadores de gado leiteiro. Mas Madalena reconhece que é preciso articular outras formas de recuperar as perdas para devolver o patamar de produtividade ao setor leiteiro. “Estamos em discussão interna dentro do governo para ações específicas para recuperação do setor de leite”, assinala.

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Madalena diz que, no momento, não se tem uma definição de como essa ajuda será estruturada. Mas garante que o foco será a parcela de produtores de leite que precisam tanto repor animais, quanto aqueles que tiveram perdas em maquinários, como ordenhadeiras e galpões, entre outros. “Temos discutido com o setor qual a melhor maneira de fazer esta recuperação da estrutura produtiva das propriedades”, completa.

A expectativa é de que antes do fim do ano sejam apresentadas alternativas para o setor leiteiro. No momento, cita Madalena, está se encerrando a ajuda imediata, de distribuição de alimentos ao gado por meio de doações. Além disso, já estão sendo trabalhadas questões para a recuperação de solo. Este ponto inclui não só a produção agrícola, como também o cultivo de pastagens para o gado leiteiro.

Bacia leiteira do Vale do Taquari foi a mais afetada

As ações de recuperação da cadeia leiteira estão concentradas no Vale do Taquari, onde aconteceram as maiores perdas provocadas pelas enchentes. É nos municípios daquela região, por exemplo, que chega a ajuda imediata. Um exemplo de entrega foi acompanhado pela equipe da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), no início de junho.

Proprietário de 13 vacas holandesas, o produtor rural Elemario Grunewaldt, 77 anos, morador da localidade de Vila Storck, em Forquetinha, no Vale do Taquari, recebeu a doação de feno. Por meio da articulação da Gadolando e com o apoio da secretaria, foram entregues três bolas de pré-secado, o que equivale a 1,8 mil quilos. O alimento serviria para alimentar os animais pelas semanas seguintes. Aquela não foi a única entrega. Ainda em meados de maio, Grunewaldt já havia recebido 20 fardos de feno. A família também planta milho e cria suínos.

A força da água que subiu pelo Arroio Forquetinha levou embora uma carroça cheia de milho e toda a pastagem. A família também perdeu uma ordenhadeira e um resfriador de leite. Em consequência disso, duas vacas morreram, porque ficaram sem ordenha, adoeceram e não resistiram.

Seapi ajuda na logística das doações

A equipe da Seapi passou a integrar a força-tarefa para entrega de doações aos produtores rurais no dia 18 de maio. Já foram envolvidos cerca de 20 servidores. O governo do Estado oferece apoio logístico às doações articuladas pela Gadolando: recebe as doações, retira dos caminhões, armazena e entrega para os postos da Emater/RS-Ascar nos cerca de 60 municípios onde a Gadolando tem produtores afetados. As entregas de alimentos estão concentradas nas regiões mais afetadas, como os vales do Taquari, Rio Pardo e Caí.

Depois de doações, mais medidas são esperadas

De acordo com informações da associação Gadolando, a mobilização para doar alimentos ao gado leiteiro foi feita por criadores de estados como Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Goiás, Minas Gerais e de regiões menos atingidas do Rio Grande do Sul, como o Norte gaúcho, que disponibilizaram feno e carregaram caminhões.

“Nessa enchente maior, teve muita gente interessada em doar, mas não sabia os caminhos”, diz Bruna Schiefelbein, da Gadolando, ao lembrar que na enchente do ano passado já havia sido organizada uma doação aos produtores rurais do RS, encabeçada por produtores do Paraná.

“O trabalho da Gadolando foi de levantar as doações e redirecionar para os centros de distribuições e algumas doações para municípios específicos para essas doações fossem distribuídas para os produtores que estivessem num nível emergencial, que não tem comida para os animais nos próximos dias ou semanas”, resume Bruna.

A Gadolando, com o apoio da Emater, sindicatos rurais, Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e prefeituras, organizou a chegada e a entrega aos produtores rurais mais afetados pela cheia.

 

Doação de feno

O presidente da Gadolando, Marcos Tang, ressalta que a ajuda imediata aos produtores de leite foi fundamental no momento mais crítico da enchente, mas pondera que é preciso planejar ações para recuperar as propriedades.

Tang salienta que medidas de governo são necessárias para que os produtores de leite possam se manter na atividade. “Precisamos replantar, recuperar o solo, precisamos novamente produzir os nossos alimentos, pois esse problema não é só por alguns dias ou algumas semanas. Essa recuperação vai longe e o produtor precisa de ajuda”, observa o dirigente, conforme nota divulgada pela Gadolando.

 

Sindicato das indústrias leiteiras já encaminhou sugestões ao governo RS

As perdas mais significativas para a indústria do setor lácteo no Rio Grande do Sul ocorreram entre o final de abril e o início de maio. Nesse período da enchente, não possível coletar leite nas propriedades rurais, por conta da destruição provocada pela cheia. Mas, paulatinamente, foi se restabelecendo a coleta à medida que as estradas e pontes começaram a ser reconstruídas.

No entanto, outras medidas para ajudar o setor leiteiro foram encabeçadas pelo Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat). Conforme o diretor-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, encaminhou o pedido para aumento do crédito presumido do PIS e Cofins. “Já saiu a portaria do Ministério da Agricultura, faltando a Medida Provisória liberação de recurso financeiro, para ter dotação orçamentária”, pontua.

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Além disso, Palharini diz que foi encaminhada uma alteração junto ao Fundoleite para operacionalizar o valor deste Fundo para a recuperação de propriedades de produtores de leite. “Esse seria o melhor dos mundos para que a gente pudesse atender esses produtores”, analisa Palharini. O dirigente do Sindilat aguarda para esta semana uma reunião com o governo do Estado para tratar de questões relativas à alteração da lei para operacionalizar o Fundo.

Codesul projeta ajuda ao RS

Secretários de Agricultura e representantes que fazem parte do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul) debateram alternativas para o setor agrário gaúcho, após as cheias. A reunião ocorreu no último dia 19 e teve o objetivo de avaliar alternativas, dentro do que é possível contribuir para a reconstrução da área rural do RS. A expectativa é elaborar um plano de ação em conjunto.

Entre as necessidades estão doação de alimentação animal, sementes de milho, insumos para a recuperação da fertilidade do solo, além de equipamentos e maquinários que possam atender as demandas dos setores produtivos e dos produtores da porteira para dentro.

Outras medidas adotadas para o setor leiteiro

No início de maio, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou a Portaria nº 1.108/24 que autoriza, temporariamente, a implementação de medidas excepcionais que simplificam as regras a serem cumpridas pelos estabelecimentos produtores de leite e derivados registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) na região. Com duração de 30 dias, a medida teve como objetivo facilitar o escoamento da produção e evitar a escassez do produto.

 

 

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