ESPMEXENGBRAIND
11 set 2026
ESPMEXENGBRAIND
11 set 2026
⚠️ Enquanto reformula marcas e revisa seu portfólio, a gigante suíça admite que os custos de insumos vão continuar subindo.
Nestlé Alerta
📈 A inflação de alimentos voltou a acelerar no mundo e uma das maiores empresas do setor já sente o impacto nos seus custos.

A inflação de alimentos voltou a acender um sinal de alerta no mercado global.

O Índice de Preços de Alimentos da FAO, que acompanha mensalmente uma cesta de produtos comercializados internacionalmente, registrou 131,1 pontos em julho — acima dos 130,3 pontos de junho e o valor mais alto desde janeiro de 2023. O órgão das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura já alertou que o mundo pode estar entrando em um novo período de pressão sobre os preços dos alimentos.

É nesse cenário que a Nestlé, a maior fabricante de alimentos embalados do mundo, colocou números e nome próprio na equação. Em entrevista à Reuters nesta quarta-feira (9), o presidente-executivo da companhia, Philipp Navratil, confirmou que o conflito no Oriente Médio entre EUA e Israel contra o Irã, que já dura seis meses, está encarecendo a cadeia de fornecimento da empresa.

“Todos os nossos fornecedores terão algum aumento de custos”, disse o executivo, acrescentando que parte desse impacto chegará à Nestlé e terá que ser administrado — inclusive repassado ao consumidor quando necessário.

O detalhe que chama atenção é a desproporção entre exposição direta e impacto indireto. O Oriente Médio responde por apenas 2% a 3% do faturamento total da companhia suíça, que gira em torno de 90 bilhões de francos suíços (cerca de US$ 111 bilhões).

Ou seja: as vendas da Nestlé na região quase não sentiram o conflito. O problema está em outro lugar — nos custos de energia, frete e matérias-primas que sobem para toda a indústria, independentemente de onde a empresa vende seus produtos. Navratil resumiu: os efeitos primários serão sentidos “no que compramos, em termos de custos de insumos”.

A resposta da companhia combina três frentes: reajuste de preços, redução de custos “incansável” e reformulação de produtos, incluindo a eliminação de itens pelos quais os consumidores “não estão dispostos a pagar mais” — sem que o executivo detalhasse quais.

O movimento acontece em paralelo a uma reorganização mais ampla do portfólio da Nestlé, dona de mais de 2.000 marcas, entre elas Nescafé, Maggi e KitKat. A empresa vendeu recentemente uma participação em seu negócio de água engarrafada e está saindo do segmento de vitaminas — parte da missão de Navratil de simplificar o foco da companhia nas marcas principais.

Mas o executivo fez questão de deixar claro que a estratégia não é só de desinvestimento: “Isso não significa que a Nestlé esteja apenas se desfazendo de ativos. Como sempre, estamos abertos a adquirir empresas que sejam estrategicamente importantes”, afirmou, também sem entrar em detalhes.

Há ainda uma terceira frente em jogo, ligada à forma como a indústria se relaciona com a regulação de rótulos. Navratil defendeu que os fabricantes de alimentos participem ativamente das discussões sobre a proposta indiana de incluir advertências sobre açúcar, sal e gordura na parte frontal das embalagens — tema sensível depois que a Reuters revelou, em agosto, documentos que apontam lobby de empresas contra esse tipo de aviso.

Segundo o executivo, a Nestlé já removeu milhares de toneladas de açúcar, sal e gordura de seus produtos, mas defende que a rotulagem precisa refletir corretamente o tamanho das porções para não distorcer a informação ao consumidor.

O quadro que emerge é o de uma indústria de alimentos pressionada simultaneamente por três frentes — custos de insumos em alta, reorganização de portfólio e regulação mais rígida sobre rótulos — que tendem a se repetir, em maior ou menor grau, em outras companhias do setor ao redor do mundo.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por CNN Brasil

Te puede interesar

Notas Relacionadas

Faça login na minha conta