As importações lácteas da China começaram 2026 mostrando uma mudança relevante no perfil de demanda do principal mercado mundial do setor.
Enquanto o leite em pó integral perdeu força de forma acentuada, produtos com maior nível de processamento, como queijos e fórmulas infantis, ampliaram participação nas compras chinesas.
Entre janeiro e fevereiro, a China importou US$ 1,989 bilhão em produtos lácteos, volume 3% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior. O dado, elaborado pelo Instituto Nacional do Leite (Inale) com base nas Aduanas chinesas, revela um mercado menos concentrado em commodities tradicionais e mais orientado a segmentos de maior valor agregado.
A principal mudança ocorreu justamente no leite em pó integral, produto central para diversos países exportadores. O volume importado caiu 26%, atingindo o menor nível dos últimos anos. O segmento segue amplamente dominado pela Nova Zelândia, responsável por 95% da origem das compras chinesas, enquanto a Austrália responde por 3%.
A retração tem peso estratégico porque o leite em pó integral continua sendo um dos principais produtos da pauta exportadora láctea para a China. O movimento reforça a necessidade de monitorar não apenas o volume total importado pelo país asiático, mas também a transformação do mix de produtos demandados.
No sentido oposto, os queijos avançaram 31% em volume no primeiro bimestre de 2026, passando de 29.553 para 38.651 toneladas, o maior nível dos últimos quatro anos. O segmento já representa 9% do valor total importado pela China.
A liderança segue concentrada na Nova Zelândia, com 64% das origens, seguida por Austrália, com 16%, e Dinamarca, com 4%. O crescimento chama atenção porque mostra expansão justamente em uma categoria associada a maior processamento industrial, posicionamento comercial e diversificação de portfólio.
As fórmulas infantis, responsáveis por 36% do total importado em valor, também registraram crescimento, com alta de 5% em volume. Holanda, Nova Zelândia e França lideram o fornecimento desse segmento.
Outros produtos apresentaram comportamento mais estável. A categoria de leite e nata avançou 2%, enquanto manteiga e butter-oil recuaram 4%. Já o soro de leite mantém trajetória de queda desde 2022 e registrou retração interanual de 24% nos dados mais recentes.
O cenário reforça uma leitura importante para a indústria exportadora: a China continua sendo um mercado central para os lácteos, mas os sinais atuais apontam para uma demanda menos concentrada em produtos básicos e mais seletiva em relação ao perfil da oferta.
Nesse contexto, a diversificação para categorias como queijos e derivados de maior valor agregado deixa de ser apenas uma alternativa comercial e passa a ganhar relevância estratégica dentro da cadeia láctea exportadora.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Ámbito






