A decisão da Danone de fechar sua unidade de produção de bebidas vegetais em Bridgeton, no estado de Nova Jersey, sinaliza um novo ajuste industrial dentro do mercado plant-based nos Estados Unidos.
A fábrica, dedicada às marcas Silk e So Delicious Dairy Free, encerrará as operações em 4 de agosto de 2026 e afetará aproximadamente 114 funcionários.
A movimentação vai além de um fechamento isolado. A companhia confirmou que a produção será redistribuída para outras plantas da sua rede industrial nos Estados Unidos, incluindo unidades em Mt Crawford, na Virgínia; Dallas, no Texas; e Jacksonville, na Flórida. Na prática, a empresa busca concentrar capacidade produtiva e reorganizar sua estrutura operacional em torno de fábricas consideradas estratégicas.
A unidade de Bridgeton tinha um papel relevante dentro da operação vegetal da Danone na América do Norte. O complexo de 185 mil pés quadrados foi inaugurado em 2001 e produzia bebidas à base de soja, amêndoa, castanha de caju e aveia, além de cremes não lácteos. Segundo a própria companhia, tratava-se da primeira instalação de extração de proteína de soja dos Estados Unidos.
O fechamento também revela diferenças de desempenho entre mercados regionais da categoria plant-based. Durante a apresentação dos resultados financeiros de 2025, o diretor financeiro da Danone, Juergen Esser, afirmou que os negócios de produtos vegetais e creamers para café na América do Norte tiveram desempenho “insatisfatório” no último ano.
Ao mesmo tempo, a empresa descreveu um cenário distinto na Europa. Segundo Esser, o portfólio Alpro apresentou crescimento competitivo sólido ao lado das marcas tradicionais de lácteos da companhia.
A reorganização industrial ocorre enquanto a Danone amplia investimentos em nutrição especializada e produtos voltados à funcionalidade e saúde. Em março deste ano, a empresa adquiriu a marca Huel em um acordo de €1 bilhão. Já no verão passado do hemisfério norte, concluiu a compra da Kate Farms, marca norte-americana de nutrição médica à base vegetal.
Para a cadeia láctea e de alimentos, o movimento ajuda a mostrar como grandes grupos estão revisando prioridades dentro do segmento alternativo. O fechamento da planta não representa saída da Danone do mercado vegetal, mas indica uma busca por maior eficiência operacional e concentração produtiva em unidades consideradas mais estratégicas.
Também chama atenção o contraste entre regiões. Enquanto o mercado europeu sustentou avanço das marcas vegetais da companhia, a operação norte-americana exigiu ajustes industriais e redistribuição de capacidade. Esse descompasso regional reforça que o desempenho do plant-based segue dependente de dinâmica local de consumo, rentabilidade e posicionamento de portfólio.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de FoodBev Media






