O Brazil Canada Business Forum, realizado em Montreal durante a Missão ao Canadá 2026 da FIEMG, mostrou como Minas Gerais busca ampliar sua presença internacional em temas que vão além da exportação tradicional.
Energia renovável, minerais estratégicos, inovação tecnológica e atração de investimentos dominaram a agenda do encontro, que reuniu empresários, autoridades e representantes institucionais brasileiros e canadenses.
Para a cadeia industrial mineira, incluindo o setor lácteo, o evento revelou um movimento mais amplo de posicionamento econômico. A participação do presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios de Minas Gerais e diretor financeiro da FIEMG, Guilherme Abrantes, reforçou o espaço que o agroindustrial mineiro tenta ocupar dentro das discussões sobre competitividade, sustentabilidade e novas parcerias internacionais.
Durante a abertura do fórum, Abrantes destacou a complementaridade entre as economias brasileira e canadense como base para o fortalecimento das relações bilaterais. Segundo ele, Brasil e Canadá possuem perfis econômicos que se conectam mais pela cooperação do que pela concorrência direta.
O dirigente também buscou associar Minas Gerais à agenda da nova economia sustentável. Ao afirmar que 96% da energia do estado vem de fontes renováveis, Abrantes apresentou esse fator como vantagem competitiva para setores industriais que dependem de previsibilidade energética, posicionamento ambiental e atração de capital.
A mesma linha foi reforçada pelo subsecretário de Atração de Investimentos e Cadeias Produtivas do governo mineiro, Daniel Medrado. Ele destacou que Minas possui matriz energética 99% renovável e vem consolidando presença em cadeias ligadas à transição energética, especialmente em minerais considerados estratégicos, como lítio, nióbio, grafite e terras raras.
O fórum também evidenciou interesse do governo de Quebec em ampliar relações econômicas com Minas Gerais em um cenário internacional marcado por incertezas. A subsecretária adjunta para as Relações com as Américas e o Indo-Pacífico do Ministério das Relações Internacionais e da Francofonia, Marie-Claude Francoeur, afirmou que a diversificação de mercados e parcerias é vista como elemento central para a resiliência econômica da província canadense.
Segundo ela, áreas como minerais críticos, energia, eletrificação, tecnologias limpas e inovação aparecem como pontos de convergência entre Quebec e Minas Gerais. A fala reforça uma estratégia de aproximação baseada em setores considerados estruturantes para a economia industrial dos próximos anos.
Representando o Consulado-Geral do Brasil em Montreal, a ministra encarregada Bárbara Belchior de Souza e Silva afirmou que a relação entre Brasil, Canadá e Quebec deixou de ter caráter apenas comercial e passou a incorporar temas ligados à complementaridade industrial, inovação e desenvolvimento sustentável.
Ela também destacou a presença de investimentos brasileiros e canadenses em áreas como energia, mineração, infraestrutura e tecnologia, setores que vêm ganhando protagonismo nas agendas bilaterais.
A Missão ao Canadá 2026 foi organizada pela FIEMG com patrocínio da Usiminas e da Anglo American. A iniciativa busca ampliar conexões internacionais, atrair investimentos e fortalecer o posicionamento de Minas Gerais como parceiro estratégico em cadeias globais ligadas à indústria e à inovação.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de FIEMG






