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4 fev 2026
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Em meio à disputa com Bruxelas, Pequim anuncia tarifas a leite e queijos europeus; maioria das empresas pagará cerca de 30%. 🧀
A medida é provisória: tarifas chinesas a lácteos da UE podem ser revistas na decisão final, como ocorreu no caso da carne suína. ⏳
A medida é provisória: tarifas chinesas a lácteos da UE podem ser revistas na decisão final, como ocorreu no caso da carne suína. ⏳

A China anunciou a aplicação de tarifas provisórias de até 42,7% sobre determinados produtos lácteos importados da União Europeia, após concluir a primeira fase de uma investigação antissubsídios conduzida pelo Ministério do Comércio.

A decisão atinge itens como leite e queijos — incluindo o Roquefort francês — e é amplamente interpretada como resposta às tarifas europeias sobre veículos elétricos fabricados na China.

Segundo comunicado oficial, as tarifas variam de 21,9% a 42,7%, com a maioria das empresas sujeita a alíquotas próximas de 30%. A medida é provisória e poderá ser revisada quando o veredito final for publicado. Em decisões recentes, como no caso da carne suína, Pequim reduziu as alíquotas inicialmente anunciadas.

A Comissão Europeia não comentou imediatamente o anúncio. Um diplomata europeu sênior em Pequim afirmou que permanecem divergências relevantes entre as partes, apesar da retomada, neste mês, das negociações sobre as tarifas aplicadas pela UE aos veículos elétricos chineses. As conversas estavam previstas para encerrar, sem anúncio posterior até o momento.

O movimento ocorre no contexto de uma escalada de tensões iniciada em 2023, quando Bruxelas abriu uma investigação antissubsídios contra veículos elétricos produzidos na China. Desde então, Pequim investigou e impôs tarifas a produtos europeus como brandy, carne suína e, agora, lácteos — medidas vistas como retaliação. Ainda assim, em episódios anteriores, o governo chinês reduziu ou limitou o impacto das sanções, poupando parcialmente grandes produtores de conhaque como Pernod Ricard, LVMH e Remy Cointreau.

No caso dos lácteos, cerca de 60 empresas foram listadas. A Arla Foods, proprietária de marcas como Lurpak e Castello, pagará tarifas entre 28,6% e 29,7%. A italiana Sterilgarda Alimenti SpA ficará com a menor alíquota, de 21,9%. Já a FrieslandCampina Belgium N.V. e a FrieslandCampina Nederland B.V. enfrentarão a taxa máxima de 42,7%. Empresas que não participaram da investigação arcarão automaticamente com a alíquota mais elevada.

Em termos de fluxo comercial, a China importou US$ 589 milhões em produtos lácteos abrangidos pela investigação em 2024, valor semelhante ao registrado em 2023. Para formuladores de estratégia e executivos do setor, o dado sinaliza exposição relevante, mas concentrada, e sugere espaço para ajustes de portfólio, renegociação de contratos e redirecionamento de volumes enquanto a decisão final não é divulgada.

O Ministério do Comércio chinês afirmou ter identificado evidências de que as importações de lácteos da UE foram subsidiadas e causaram prejuízos aos produtores locais. A decisão tende a ser bem recebida por produtores chineses, que enfrentam excesso de oferta de leite e queda de preços em meio à desaceleração da demanda, associada à redução das taxas de natalidade e a consumidores mais sensíveis a preços.

A China é o terceiro maior produtor de leite do mundo. Em 2025, autoridades incentivaram a contenção da produção e o descarte de vacas mais velhas e menos produtivas. Nesse contexto, a aplicação de tarifas funciona como instrumento de alívio de mercado no curto prazo, ao mesmo tempo em que reforça a pressão política nas negociações comerciais com a União Europeia.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Dairy News Australia

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