ESPMEXENGBRAIND
16 ago 2026
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🍼 Muitas mães cortam leite e queijo achando que isso ajuda o bebê — mas a explicação é outra
gases
👶 Antes de tirar laticínios da dieta durante a amamentação, vale entender o que diz a ciência.

A cena se repete em consultórios e grupos de mães: o bebê chora, tem gases, e a primeira suspeita recai sobre o cardápio de quem amamenta.

Leite, queijo e iogurte saem da mesa na esperança de aliviar o desconforto do filho. Mas, segundo a nutrióloga materno-infantil Claudia Ontiveros, assessora em lactação e educadora em diabetes, essa mudança de hábito não resolve o problema — porque parte de uma confusão sobre como funciona o leite materno.

O ponto central está na lactose. Diferentemente do que muitas mães acreditam, esse açúcar presente no leite materno não vem dos laticínios que a mãe consome: ele é produzido pela própria glândula mamária. Isso significa que parar de tomar leite ou comer queijo não retira a lactose do leite materno, nem funciona, por si só, como solução para os gases do bebê.

Há ainda outra crença bastante difundida, que reforça essa prática: a ideia de que certos alimentos causam gases na mãe e que esse desconforto seria transmitido ao bebê durante a amamentação. Ontiveros é direta ao desfazer essa associação — os gases produzidos na digestão da mãe não passam para o leite. Por isso, as cólicas ou o desconforto do bebê não deveriam ser atribuídos automaticamente ao que a mãe comeu.

Isso não quer dizer que a alimentação materna nunca tenha relação com problemas do bebê. Mas a especialista destaca a importância de diferenciar as situações, em vez de eliminar alimentos por conta própria sem identificar uma causa real.

Existe, sim, um cenário em que retirar laticínios da dieta faz sentido: a alergia à proteína do leite de vaca. Nesse caso, porém, o mecanismo é outro — não tem relação com a lactose, e sim com proteínas específicas que podem provocar reação alérgica em alguns bebês.

Segundo Ontiveros, esse tipo de situação exige avaliação médica e uma história clínica completa antes de qualquer mudança na dieta. Ou seja, cortar laticínios pode até ser indicado, mas deve ter uma razão clínica por trás — não apenas a presença de gases.

A especialista também chama atenção para um efeito colateral dessas restrições feitas por conta própria: elas podem prejudicar tanto a alimentação da mãe quanto sua tranquilidade, sem necessariamente trazer benefício ao bebê. Sua recomendação é evitar cortes baseados em crenças populares e procurar orientação profissional diante de sintomas persistentes ou suspeita de alergia.

Na prática, em um bebê saudável, tirar leite, queijo e iogurte do cardápio da mãe não é uma estratégia eficaz contra os gases — nem a lactose do leite materno depende do consumo desses produtos, nem o desconforto digestivo da mãe se transfere ao filho durante a amamentação.

*Produzido pela eDairyNews Br, com informações publicadas por eDairyNews Es

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