A agricultura regenerativa deixou de ocupar apenas o espaço da sustentabilidade institucional para assumir um papel operacional dentro da cadeia leiteira da Danone.
A empresa passou a tratar o tema como ferramenta de redução de risco climático, proteção do abastecimento e fortalecimento da resiliência produtiva de seus fornecedores.
O movimento ganhou escala nos últimos anos. Em 2026, 91% do fornecimento de leite da companhia já está coberto por ferramentas de avaliação em nível de fazenda para monitorar práticas ambientais e apoiar a transição regenerativa. Ao mesmo tempo, 42% dos ingredientes considerados estratégicos pela empresa vêm de propriedades envolvidas em práticas ligadas à agricultura regenerativa.
A estratégia da Danone não está concentrada apenas em metas ambientais. O foco combina solo, água, biodiversidade e viabilidade econômica do produtor. Na prática, a empresa busca estruturar cadeias mais previsíveis diante de eventos climáticos extremos e oscilações operacionais no campo.
Nos Estados Unidos, onde a Danone trabalha com mais de 50 produtores parceiros, o modelo é desenvolvido fazenda por fazenda. Segundo a empresa, as práticas adotadas precisam ser agronomicamente viáveis e economicamente sustentáveis para os produtores.
Entre os mecanismos utilizados estão apoio financeiro, análises de rentabilidade, assistência técnica e um sistema que permite ao produtor definir preços de forma transparente com base no custo de produção acrescido de margem.
A companhia também ampliou investimentos em capacitação. A chamada Milk Academy foi criada para treinar produtores e acelerar a disseminação de conhecimento técnico dentro da rede global de fornecimento. O programa inclui compartilhamento de experiências entre produtores e ações voltadas a pequenos agricultores.
Outro eixo importante da estratégia é a incorporação de tecnologia para eficiência operacional. Os exemplos apresentados pela empresa mostram projetos ligados à redução do consumo de energia, uso inteligente de água, monitoramento animal e manejo automatizado de irrigação e resíduos.
Entre os casos citados pela Danone estão sistemas de refrigeração capazes de reduzir em até 50% o consumo energético, sprinklers inteligentes voltados à conservação de água e tecnologias autônomas para irrigação e manejo de esterco com objetivo de reduzir uso de fertilizantes e emissões de metano.
A companhia também afirma que produtores parceiros relatam ganhos ligados à saúde do solo, conservação de água e qualidade do leite. Dentro da estratégia climática da empresa, a redução das emissões aparece conectada à eficiência produtiva e à estabilidade de longo prazo da cadeia.
Hoje, a agricultura regenerativa já está integrada à meta Net Zero 2050 da Danone e ao esforço de redução de emissões de Escopo 3. O acompanhamento ocorre por meio de scorecards, sistemas de rastreabilidade e monitoramento por satélite.
Ao ampliar métricas, monitoramento e suporte técnico sobre a produção, a Danone sinaliza um movimento que vai além da comunicação ambiental. A regeneração passa a funcionar como modelo de gestão da cadeia leiteira, com impacto direto sobre fornecimento, produtividade e relacionamento com produtores.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Dairy Reporter






