A competitividade do produto nacional voltou a ganhar espaço no mercado brasileiro de lácteos em 2025.
Embora as importações tenham permanecido em patamares historicamente elevados, a dinâmica observada ao longo do ano mostrou uma redução gradual da vantagem do produto importado, alterando o equilíbrio entre a oferta externa e a produção doméstica.
As importações totalizaram cerca de 2,148 milhões de litros de leite equivalentes em 2025, volume que correspondeu a quase 8% do leite inspecionado no país. Apesar da relevância desse fluxo para o abastecimento interno, a participação foi inferior à registrada em 2024, quando as compras externas representaram cerca de 9% da oferta inspecionada.
A mudança não ocorreu apenas por uma redução das importações. O movimento foi acompanhado pelo aumento da produção brasileira, o que contribuiu para diminuir o peso relativo do comércio internacional na disponibilidade interna de lácteos.
Ao longo do ano, os diferenciais de preços entre o produto nacional e o importado passaram por ajustes que favoreceram a competitividade brasileira. No início de 2025, os preços pagos ao produtor estavam acima dos níveis observados no ano anterior, situação que, em determinados momentos, ampliou a atratividade das importações. Com o avanço dos meses, entretanto, essa vantagem foi diminuindo.
O resultado foi uma redução de 6% nas importações em comparação com 2024. Segundo a análise apresentada, esse comportamento pode ser explicado, entre outros fatores, pelas mudanças nas condições de competitividade entre os produtos nacionais e importados.
Os dados mensais também revelam uma dinâmica distinta ao longo do ano. O primeiro trimestre concentrou os maiores volumes de importação, enquanto os meses de entressafra registraram volumes relativamente menores, inclusive abaixo dos observados em 2024. Ainda assim, todos os meses de 2025 permaneceram acima da média registrada entre 2021 e 2023, indicando que o país continuou operando com níveis elevados de compras externas.
Outro aspecto relevante é que a redução das importações não ocorreu de forma homogênea entre os produtos. O leite em pó integral, principal item da pauta importadora brasileira, respondeu por cerca de metade do volume total importado e registrou queda de 10,5% em relação ao ano anterior. A muçarela, responsável por 14,2% das importações, apresentou retração ainda mais intensa, de 23,7%.
Na direção oposta, o leite em pó desnatado ampliou sua presença na balança comercial. As importações do produto cresceram 30% em 2025, passando a representar 23,6% do volume total adquirido pelo Brasil. O comportamento distinto entre as categorias mostra que a dinâmica das importações não pode ser explicada por um único fator ou produto.
Mesmo com a desaceleração observada em 2025, o comércio internacional segue desempenhando papel relevante no abastecimento do mercado brasileiro. A diferença é que, ao longo do ano, o produto nacional voltou a disputar esse espaço em condições mais favoráveis, reduzindo a vantagem competitiva que havia impulsionado as importações nos períodos anteriores.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Canal do Leite






