O preço do leite voltou a subir com força em Minas Gerais e reacendeu um movimento de recuperação que vinha sendo esperado pelo setor desde o início do ano.
Em abril, o valor pago ao produtor mineiro avançou 11,58%, levando a média do litro para R$ 2,45, segundo dados do Cepea referentes ao leite entregue em março. Na média nacional, a alta foi de 11,46%.
O avanço ocorre em um ambiente de menor disponibilidade de leite no campo, impulsionado pela entressafra e pela redução do ritmo de investimentos dos produtores após um longo período de pressão sobre as margens. O movimento altera o equilíbrio entre oferta e demanda e aumenta a competição entre laticínios pela matéria-prima.
A recuperação dos preços dos principais derivados comercializados em Minas Gerais também contribuiu para o cenário de valorização. Entre eles estão o leite em pó, o leite UHT e o queijo mussarela, produtos que ganharam maior sustentação no mercado e abriram espaço para reajustes ao produtor.
O setor vinha acumulando nove quedas consecutivas no preço do leite ao longo de 2025. Agora, além da alta registrada em abril, o Conseleite Minas projeta novo aumento de 9,3% para o leite entregue em abril e pago em maio, indicando continuidade do movimento de recuperação no curto prazo.
Mesmo com a reação recente, os preços ainda permanecem abaixo dos níveis observados no ano passado. Na média brasileira, o valor pago ao produtor segue 18,7% inferior ao registrado em março de 2025. Em Minas Gerais, o preço médio de R$ 2,45 está 14,33% abaixo dos R$ 2,86 praticados no mesmo período do ano anterior.
Do lado da oferta, os sinais continuam restritivos. O Índice de Captação de Leite caiu 3,9% de fevereiro para março na média nacional e acumula retração de 11,1% no primeiro trimestre de 2026. A sazonalidade reduz a disponibilidade de pastagens, aumenta os custos com alimentação animal e amplia a cautela dos produtores em relação à expansão da atividade.
Ao mesmo tempo, os custos seguem pressionando a rentabilidade no campo. O Custo Operacional Efetivo da atividade avançou 0,46% em março e acumula alta de 2,11% no primeiro trimestre, segundo o Cepea. Paralelamente, as importações de leite em pó continuam elevadas. Em março, cresceram 33%, enquanto o volume adquirido no primeiro trimestre somou 604 milhões de litros em equivalente leite.
Esse cenário cria um mercado mais sensível para a indústria. Embora a valorização do leite ainda deva continuar em abril, o próprio setor já trabalha com expectativa de desaceleração dos reajustes a partir de maio. A resistência do consumidor aos preços mais altos na gôndola começa a afetar os derivados, enquanto a manutenção das importações e a expectativa de recuperação gradual da produção aumentam a cautela dos laticínios na realização de novos repasses ao produtor entre maio e junho.
Para a cadeia láctea, o momento combina recuperação de preços no campo com um ambiente de custos ainda elevados, consumo mais pressionado e disputa crescente pela matéria-prima. O resultado é um mercado mais ajustado no curto prazo, mas ainda longe de um cenário de estabilidade.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Diário do Comércio






