ESPMEXENGBRAIND
7 set 2026
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🔬 Cientistas apontam para uma parte do leite que o processamento convencional destrói — e que pode valer muito.
leite
🧬 Uma startup diz ter encontrado, dentro do soro do queijo, algo que a indústria láctea processa e descarta há décadas.

Todo processo de fabricação de queijo deixa para trás um volume expressivo de soro de leite, historicamente tratado como subproduto de baixo valor comercial.

É justamente nesse soro que a biotech Exosomm afirma ter encontrado uma oportunidade que pode mudar essa equação: os exossomos do leite, partículas bioativas naturais que, segundo a empresa, são destruídas pelo processamento convencional antes de chegarem ao consumidor.

“Os exossomos são partículas minúsculas encontradas em muitos líquidos, inclusive no corpo humano, e são o sistema de comunicação mais antigo e sofisticado da natureza”, explica a CEO da Exosomm, Rachelle Neumann. Ela recorre a uma analogia logística para descrever a função dessas estruturas: “São como o DHL entre as células do corpo.

Uma célula quer se comunicar com outra, então empacota tudo o que é necessário, envia para a outra célula e, quando a carga é liberada, as vias de sinalização são ativadas.”

O fenômeno já é conhecido em outro contexto: o leite materno humano contém exossomos carregados de microRNAs que, segundo pesquisas citadas por Neumann, cumprem papel relevante no desenvolvimento infantil.

A novidade trazida pela Exosomm é ter identificado que o leite bovino também carrega essas partículas — e ter conduzido pesquisas próprias que associam os exossomos do leite bovino à redução da inflamação em doenças inflamatórias intestinais, à melhora da tolerância à glicose e à prevenção de danos ao pâncreas e ao fígado.

De acordo com a empresa, esses exossomos conseguem sobreviver à digestão e interagir com o organismo de formas que ingredientes tradicionais não conseguem, entregando sinais bioativos ligados à saúde intestinal, à função imunológica e ao controle da inflamação.

A CTO da Exosomm, Efrat Davash Riesenfeld, detalha o mecanismo: os benefícios chegam ao corpo por meio de vesículas extracelulares absorvidas pelas células epiteliais do intestino, onde os exossomos liberam sua carga. “A carga é composta por vários elementos: proteínas, bioativos, microRNAs, lipídeos ativos.

E cada um tem um efeito diferente”, afirma, citando pesquisas publicadas que apontam efeito terapêutico e anti-inflamatório sobre a colite. Segundo ela, há também evidências de que essa ação fortalece a barreira entre as células epiteliais, reduzindo a permeabilidade intestinal — e, consequentemente, o sangramento — em pessoas com doença de Crohn e colite.

O obstáculo, até agora, era justamente preservar essas partículas frágeis. O processamento de segurança alimentar padrão da indústria as destrói, o que significa que o consumo comum de leite ou iogurte não entrega nenhum desses benefícios.

“Percebemos que isso era uma bagunça, e que deveríamos conseguir aproveitar os exossomos. Então encontramos uma forma de garantir e trazer esses exossomos de maneira bioativa e preservada, por meio de um concentrado proteico de soro enriquecido com exossomos bioativos”, relata Neumann.

É aqui que o soro de leite descartado no processo de fabricação de queijo — até então de valor limitado — ganha nova relevância. A Exosomm recupera os exossomos diretamente desse soro, sem aditivos sintéticos nem modificação química, e os transforma em um pó com um ano de validade, padronizado e pronto para ser incorporado a barras, misturas para bebidas e outras formulações.

Para a companhia, é uma via de agregar valor a um subproduto que, para os laticínios, muitas vezes representa mais custo de descarte do que retorno.

Neumann posiciona o ingrediente como um produto premium, justificado pela novidade científica e pelo mecanismo de ação. “Este não é mais um pós-biótico ou pré-biótico como os que já existem no mercado. Todos eles são ótimos e têm ciência que sustenta suas alegações, mas isto é algo diferente. Não é apenas mais um ingrediente”, diz.

A empresa ainda está em processo de obtenção do status GRAS (reconhecido como seguro) nos Estados Unidos, mas já conta com um parecer de um consultor regulatório que respalda a comercialização do ingrediente com o argumento de que, no fim das contas, é “apenas leite”.

A Exosomm afirma ter capacidade de manufatura em larga escala e fornecimento confiável para mercados globais, e está aberta a parcerias com fabricantes — especialmente nos Estados Unidos — via joint venture ou licenciamento da tecnologia.

Se o modelo se confirmar em escala comercial, a proposta da Exosomm resume uma mudança maior na nutrição funcional: em vez de simplesmente adicionar novos ingredientes aos produtos, a aposta é preservar uma atividade biológica que já existe naturalmente no leite — e que, até hoje, era descartada junto com o soro.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Dairy Reporter

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