O leite voltou ao centro da Indy 500 — e talvez nunca tenha estado tão presente na narrativa da corrida mais famosa dos Estados Unidos.
Faltando poucos dias para a 110ª edição das 500 Milhas de Indianápolis, a American Dairy Association Indiana divulgou a tradicional lista com as preferências de leite dos 33 pilotos do grid. O resultado confirmou uma tendência quase absoluta: o leite integral segue soberano entre os competidores.
Nada menos que 25 pilotos escolheram whole milk para celebrar uma possível vitória no lendário Brickyard. Outros sete optaram pelo leite semidesnatado, enquanto apenas um nome destoou do grupo: Romain Grosjean, único piloto a pedir leite desnatado.
O brasileiro Hélio Castroneves, que busca um inédito quinto título em Indianápolis, manteve sua tradição pessoal e escolheu leite 2%. Já Caio Collet, estreante em ovais, preferiu seguir a maioria e apostou no integral.

A cena pode parecer apenas uma curiosidade do automobilismo, mas virou um dos rituais esportivos mais reconhecidos dos Estados Unidos. Em um ambiente dominado por engenharia extrema, telemetria e carros ultratecnológicos, a celebração máxima continua ligada a um alimento simples e profundamente associado ao imaginário rural americano.
A origem da tradição remonta a 1936. Depois de vencer a prova pela terceira vez, o piloto Louis Meyer pediu um copo de buttermilk gelado para aliviar o calor intenso. A imagem espontânea do campeão bebendo leite foi fotografada e acabou conquistando a indústria láctea americana, que transformou o gesto em símbolo oficial da corrida.
Décadas depois, a tradição se expandiu muito além do pódio.
Nesta semana, os novatos da edição 2026 participaram do tradicional Rookie Luncheon, evento organizado pelos produtores de leite de Indiana. Como manda o ritual, os estreantes Caio Collet, Mick Schumacher, Dennis Hauger e Jacob Abel participaram de uma divertida sessão de ordenha com a vaca Bertha, mascote informal do evento.

Schumacher foi o único a admitir experiência prévia. Para os demais, foi a primeira tentativa diante da imprensa e das câmeras — uma mistura de superstição, entretenimento e celebração rural que ajuda a manter viva a conexão histórica entre a Indy 500 e o setor leiteiro.
Em um calendário esportivo global cada vez mais padronizado, Indianápolis continua preservando uma das tradições mais improváveis — e mais eficazes — do esporte moderno: transformar leite em troféu cultural.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Band






