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31 jul 2026
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Enquanto a proteína já é presença garantida nas embalagens, um grupo de ingredientes ligados ao leite ganha terreno 🐄
ingrediente
🥛 Um subproduto do leite bovino começa a aparecer em cardápios e prateleiras — e os números explicam por quê.

O leite bovino, além de suas funções já consolidadas na indústria alimentícia, começa a chamar atenção por um subproduto específico:

O colostro, o primeiro leite produzido por um mamífero logo após o parto. Associado a benefícios como o suporte ao sistema imunológico, o ingrediente está deixando de ser um nicho de nicho para ganhar espaço real em cardápios e produtos funcionais.

De acordo com dados da plataforma de análise de tendências de consumo Tastewise, o colostro já aparece em quase duas vezes mais cardápios do que há um ano. Miriam Aniel Oved, analista sênior de tendências de consumo da empresa, descreve o momento como uma mudança de fase: o ingrediente estaria “saindo do hype para se tornar um produto real”.

A conexão com a saúde intestinal é o que mais atrai o consumidor: um em cada três liga o colostro a esse benefício. Ainda assim, Oved pondera que a base de consumidores continua pequena e o produto não é, por enquanto, um sucesso de massa — mas está, em suas palavras, “em ascensão”.

O colostro não é o único ingrediente de origem proteica que vem ganhando protagonismo. Os peptídeos, cadeias curtas de aminoácidos com benefícios funcionais associados, também estão no radar da indústria. Michele Scott, diretora de insights da Innova Market Insights, afirma que os peptídeos estão “bem posicionados para serem a próxima grande novidade”. Historicamente vinculados à nutrição esportiva, hoje eles avançam para outras frentes.

Stephanie Mattucci, estrategista principal de alimentos e bebidas da Mintel, explica que os peptídeos permitem às marcas comunicar “resultados de precisão”, especialmente em áreas como envelhecimento saudável, mobilidade, preservação muscular e recuperação. Segundo ela, a popularização dos peptídeos de colágeno e dos medicamentos à base de peptídeos vem ajudando o consumidor a entender melhor do que se trata o ingrediente — o que facilita sua adoção em alimentos e bebidas.

O apelo à saúde intestinal e digestiva também sustenta o crescimento da psyllium, uma fibra funcional associada à redução do colesterol, à diminuição do risco cardiovascular e ao alívio da constipação. Segundo Oved, o ingrediente já alcança 55% mais consumidores do que há um ano, com previsão de continuar crescendo no próximo período, sem sinais de desaceleração.

Um em cada dois consumidores busca a psyllium por razões digestivas e um em cada quatro por controle de açúcar no sangue — sendo o colesterol a necessidade que mais cresce entre os motivos de consumo. A fibra também vem sendo procurada por usuários de medicamentos GLP-1, devido ao efeito de saciedade que proporciona.

Fora do universo do leite, dois outros ingredientes completam o cenário. A L-theanina, aminoácido presente principalmente no chá verde, vem sendo incorporada a barras, chocolates e snacks assados como alternativa à estimulação da cafeína, oferecendo o que Mattucci chama de “energia calma”. Cerca de um terço dos consumidores nos Estados Unidos já experimentou algum alimento ou bebida funcional com o ingrediente.

Para Mattucci, as alegações de saúde cerebral tendem a evoluir para conceitos mais amplos que energia e foco — como criatividade, flexibilidade cognitiva e estabilidade emocional —, à medida que a inteligência artificial assume tarefas rotineiras de produtividade.

Já a creatina, tradicionalmente associada à nutrição esportiva, consolida sua migração para o consumo cotidiano. Dados do banco global de novos produtos da Mintel (GNPD) mostram que a presença da creatina em lançamentos de alimentos e bebidas funcionais nos Estados Unidos saltou de 1,7% para 3,1% nos últimos cinco anos.

Hoje, 43% dos consumidores americanos já experimentaram o ingrediente em alimentos e bebidas, e apenas 16% nunca ouviram falar dele. Mattucci resume a transformação: a creatina deixou de ser um “item de bodybuilder” para se tornar um ingrediente de bem-estar mainstream.

Entre fibras, aminoácidos e peptídeos, o denominador comum é claro: o consumidor não busca mais apenas sabor e textura, mas benefícios específicos e mensuráveis — e o leite, através do colostro e dos peptídeos, já ocupa um lugar de destaque nessa nova corrida da indústria de alimentos funcionais.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Dairy Reporter

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