ESPMEXENGBRAIND
12 set 2026
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Um negócio nascido de uma alergia infantil mostra como o leite de jumenta virou produto de beleza 🐴
semiárido
Da Europa ao Chile, o leite de jumenta ganha mercado — e o Nordeste tem motivos para prestar atenção 🐴

O Nordeste concentra a maior parte dos asininos do Brasil, historicamente ligados ao trabalho e ao transporte no semiárido.

Um mercado que já se consolida na Europa e ganha força no Chile aponta agora para uma possibilidade pouco explorada por aqui: transformar o leite de jumenta em matéria-prima para cosméticos.

Na França, a Ém’ane usa leite fresco de jumentas em suas fórmulas, com concentrações que chegam a 10% em alguns cremes e 15% nos sabonetes. Na Bélgica, a Naturâne segue caminho semelhante, utilizando leite da própria criação. Empresas da Itália e de outros países europeus ampliam esse mercado, que já combina diferentes modelos de produção e comercialização.

A ciência acompanha esse movimento. O leite de jumenta contém ácidos graxos, vitaminas e aminoácidos, componentes que vêm sendo estudados para uso cosmético. Pesquisas experimentais investigam sua aplicação em produtos voltados à hidratação e à proteção da pele, além de possíveis efeitos sobre a barreira cutânea e o fotoenvelhecimento.

Do outro lado dos Andes, a empresária chilena Paula Saez mostra que essa cadeia pode nascer em pequena escala. Com seis jumentas de criação própria, ela comanda a Feld Esel, empresa que fabrica cremes, sabonetes, shampoo e condicionador a partir do leite ordenhado em sua propriedade, no sul do Chile. Paula esteve recentemente no Brasil, na Expointer, feira agropecuária realizada em Esteio (RS).

Segundo a empresária, os consumidores ainda não conheciam o produto, mas a aceitação tem sido alta e os clientes voltam a comprar. Os atributos mais citados são a hidratação e a elasticidade da pele proporcionadas pelo leite, além do contato direto que a marca mantém com o público.

Para o zootecnista e administrador agropecuário Alex Bastos, a experiência chilena e o mercado europeu oferecem referências diretas para o semiárido brasileiro. Segundo ele, a produção de leite abre uma nova frente dentro da cadeia produtiva dos asininos, que pode incluir criação, seleção genética, reprodução e produtos de maior valor agregado — uma via de diversificação de renda para o produtor.

Bastos pondera, porém, que repetir esse modelo no Brasil exige manejo adequado, seleção de animais com aptidão leiteira, assistência técnica, cuidados sanitários e adequação à regulamentação vigente no país. A escala da própria Feld Esel, sustentada por apenas seis animais, mostra que a entrada nesse mercado não depende de grandes estruturas — mas de planejamento técnico e sanitário desde o início.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Tribuna

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