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9 jun 2026
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🍕 Após conquistar espaço nas pizzarias premium, o fior de latte avança para o varejo e se torna peça central na estratégia de crescimento da empresa.
leite
André Guidon, proprietário da Leggera; Davide Auricchio, fundador da La Bufalina e Carolina Auricchio, mulher e sócia de Auricchio — Foto: Otavio Minelli/La Bufalina

O leite de vaca passou de aposta complementar a eixo estratégico de crescimento da La Bufalina.

Conhecida por sua atuação em produtos à base de leite de búfala, a empresa iniciou o desenvolvimento de um queijo tipo fior de latte para atender pizzarias premium e agora prepara sua entrada no varejo, apoiada pelo desempenho comercial que o produto alcançou em apenas um ano de fornecimento ao canal especializado.

O movimento revela uma mudança importante dentro do laticínio. Mesmo mantendo sua identidade ligada ao leite de búfala, a empresa encontrou no fior de latte uma oportunidade de ampliar mercado sem abandonar o segmento de valor agregado que construiu ao longo dos anos.

O queijo nasceu a partir de uma demanda específica de pizzarias que buscavam um produto capaz de reproduzir características tradicionais das receitas italianas. O desenvolvimento levou dois anos e contou com a participação de estabelecimentos especializados, entre eles a Leggera. O resultado foi um produto que conquistou medalha de bronze no 4º Mundial do Queijo do Brasil realizado em abril deste ano.

A trajetória até chegar à formulação atual também evidencia como decisões industriais dependem diretamente da matéria-prima disponível. A produção começou com leite de vacas da raça Jersey, escolhido pelo elevado teor de sólidos. No entanto, o desempenho do queijo não atendeu às expectativas da empresa, especialmente em relação à estrutura após o uso em pizzas.

Além das limitações tecnológicas observadas no produto final, surgiu um segundo obstáculo: a dificuldade de garantir fornecimento suficiente de leite Jersey ao longo de todo o ano. Com uma demanda atual de 25 mil litros de leite por semana, a empresa optou por migrar a produção para leite de vacas mestiças.

A experiência mostra que inovação em produtos lácteos premium não depende apenas de formulação ou equipamentos. A disponibilidade consistente de matéria-prima pode determinar a viabilidade de uma estratégia de expansão.

No mercado, os desafios também vão além da fabricação. Segundo a empresa, a aceitação do consumidor ainda avança mais lentamente do que no caso dos produtos de leite de búfala. Enquanto a muçarela de búfala já possui reconhecimento consolidado, o fior de latte ainda busca construir valor e identidade junto ao público.

Apesar dessa barreira, os resultados comerciais já ganharam relevância. Hoje, o fior de latte responde por cerca de 20% do faturamento da La Bufalina apenas com vendas para pizzarias e restaurantes parceiros e se tornou o produto mais vendido da empresa.

O crescimento levou a um investimento de R$ 1 milhão em maquinário para produção dos derivados de leite de vaca. Ainda assim, a empresa afirma que a principal dificuldade da nova fase não foi tecnológica, mas humana. A adaptação de equipes acostumadas há décadas ao processamento de leite de búfala exigiu aprendizado e mudanças operacionais internas.

O próximo passo será ampliar o portfólio com versões de leite de vaca de produtos já fabricados com leite de búfala, como burrata, requeijão e ricota. A expectativa dos sócios é que essa nova linha alcance o mesmo faturamento dos derivados de leite de búfala, permitindo dobrar o tamanho do negócio sem abrir mão do caráter artesanal que marca a atuação da empresa.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por GR

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