ESPMEXENGBRAIND
22 maio 2026
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🚛 Custos de leite, petróleo e ingredientes importados forçam reajustes e adaptação estratégica no segmento premium de sorvetes.
leite
📈 Dependência de matérias-primas externas expõe fabricantes de sorvete premium à pressão cambial, logística e volatilidade global.

O aumento do leite importado e de outras commodities já impacta diretamente a operação da indústria de sorvetes premium em São Paulo.

Mais do que um reajuste pontual de preços, o movimento expõe uma cadeia cada vez mais dependente de insumos externos, logística refrigerada e matérias-primas sensíveis às oscilações internacionais.

A LosLos, marca que nasceu como operação de paletas mexicanas e hoje atua como indústria de sorvetes, relata reajustes anuais entre 6% e 8% em meio à pressão sobre ingredientes, combustíveis e embalagens. Segundo o fundador José Vicente Mazzarella, a instabilidade global exige acompanhamento constante de preços e revisão frequente das estratégias operacionais.

A estrutura produtiva da empresa ajuda a explicar essa vulnerabilidade. Entre 62% e 65% das matérias-primas utilizadas vêm do exterior. Leite argentino, pastas italianas, fibras, adoçantes alemães e frutas importadas fazem parte da composição dos produtos e colocam a empresa diretamente exposta ao câmbio e às tensões do mercado internacional.

Dentro dessa equação, o leite em pó argentino se tornou o principal custo da operação. A empresa compra, em média, lotes de 30 toneladas, pagando atualmente R$ 1,50 a mais por quilo em relação ao produto nacional. Segundo a empresa, essa diferença representa cerca de R$ 45 mil adicionais por compra e pode ultrapassar R$ 270 mil ao ano.

O impacto não se limita aos lácteos. O pistache, outro insumo relevante para a operação premium, registrou variação de 30% nas últimas semanas devido à forte demanda internacional, especialmente ligada ao Oriente Médio. Para a companhia, o cenário confirma como commodities alimentares passaram a responder rapidamente a movimentos globais de oferta e demanda.

Ao mesmo tempo, a pressão sobre combustíveis amplia o custo logístico da cadeia refrigerada. O aumento da gasolina e do diesel encareceu o transporte dos sorvetes, enquanto embalagens derivadas de petróleo passaram de R$ 33 para R$ 46 o quilo, uma alta de 39,4%. Atualmente, a logística representa entre 4,5% e 5% do custo geral da empresa.

Mesmo com reajustes graduais ao consumidor, parte da inflação vem sendo absorvida pela redução das margens. Segundo Mazzarella, o desafio atual não é apenas repassar custos, mas manter a qualidade do produto em um ambiente de inflação persistente e matérias-primas pressionadas.

Nesse contexto, a empresa também acelera mudanças nas formulações. Os investimentos estão direcionados à reformulação das receitas para retirada de corantes petrolíferos e elementos transgênicos, em busca de uma linha totalmente “clean label”.

O movimento mostra que, mesmo sob forte pressão de custos, o segmento premium continua exigindo diferenciação, qualidade e adaptação constante. Para a indústria, isso transforma a gestão de compras, logística e formulação em fatores cada vez mais centrais para sustentar competitividade e posicionamento.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Agemt 

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