Um copo de leite pode fazer o mesmo que uma dose de whey protein? A pergunta é comum entre quem frequenta a academia com o objetivo de ganhar massa muscular, já que o próprio suplemento é extraído do soro do leite.
Mas, segundo a nutricionista Amanda Cristina Motter Senta, especialista em Nutrição Clínica com 16 anos de atuação, a resposta não é tão simples quanto parece.
Para a maioria das pessoas, a resposta é sim — pelo menos em parte. Amanda explica que quem pratica atividade física duas ou três vezes por semana em academia, por motivos estéticos ou de saúde, geralmente consegue suprir sua necessidade diária de proteína apenas com o leite, de preferência nas versões desnatada ou semidesnatada.
A conta é simples: um copo de 200 ml de leite tem cerca de 6 gramas de proteína. Como a recomendação após o treino gira em torno de 25 a 30 gramas — para quem não é atleta de alto rendimento —, o leite entra como uma fonte relevante, mas não deve ser a única. “O leite ajuda bastante, mas é recomendável associá-lo ao consumo de outras fontes de proteínas, por exemplo, carnes, ovo e algumas leguminosas”, afirma a nutricionista.
O cenário muda para quem tem demandas maiores. Atletas, praticantes de atividade física intensa ou pessoas que precisam de grandes quantidades de proteína diária — com controle rigoroso da ingestão de gorduras — são o público em que o whey protein realmente faz diferença, segundo Amanda.
A diferença nutricional entre os dois explica esse recorte. Enquanto o leite puro combina proteínas, carboidratos e gorduras em sua composição, o whey concentra uma quantidade maior de proteína por porção, sem gordura e com pouco ou nenhum carboidrato. Ou seja: são dois produtos com a proteína como ponto em comum, mas não intercambiáveis.
Ainda assim, o leite tem vantagens que vão além do bolso. Bem mais barato que os produtos à base de whey, ele pode ser consumido tanto antes quanto depois do exercício. “Por ser rico em proteínas, é um alimento que ajuda na energia para a atividade física e também na recuperação da massa muscular”, diz a nutricionista.
Há também um ganho nutricional que o suplemento isolado não oferece. O leite carrega cálcio, vitaminas e outros minerais importantes para a saúde óssea, muscular e imunológica — um pacote mais completo do que a proteína isolada do whey.
A segurança do produto também pesa a favor do leite no dia a dia de quem treina. De acordo com Vinícius Junqueira, diretor de marketing da Marajoara Laticínio, indústria localizada no interior de Goiás, o setor opera hoje sob controles de qualidade rigorosos exigidos por lei, com tecnologia aplicada desde a extração na fazenda até a manufatura industrial — incluindo o processo UHT, apontado por ele como um marco na cadeia produtiva do leite.
No fim das contas, a decisão entre leite e whey depende menos de qual é “melhor” e mais de quem está do outro lado do copo. Objetivos de treino, rotina alimentar e características individuais definem se o leite basta ou se o suplemento se torna necessário. Por isso, a orientação de Amanda é clara: qualquer suplementação deve ser feita com acompanhamento de um profissional de saúde.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por BOA FORMA






