Leite foi um dos pilares do crescimento histórico do Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social (PPAIS), que registrou expansão superior a 150% em 2025 e alcançou R$ 53,9 milhões em compras governamentais no estado de São Paulo.
Sob a gestão da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), o programa ampliou de forma consistente a participação da agricultura familiar no abastecimento de órgãos públicos estaduais.
O PPAIS atua como um elo estruturado entre produtores familiares e o poder público, viabilizando compras institucionais de alimentos destinados a diferentes secretarias e órgãos do Estado. A participação ocorre, majoritariamente, por meio de cooperativas, e exige que os agricultores estejam regularizados com a Declaração de Conformidade (Decomp), condição que assegura rastreabilidade, organização produtiva e previsibilidade de fornecimento.
Segundo o presidente da Fundação Itesp, Lucas Bressanin, um dos fatores centrais para a expansão do programa foi a ampliação do limite anual de fornecimento por produtor. Atualmente, cada agricultor pode comercializar até R$ 104 mil por ano em hortifrúti e o mesmo valor em leite e derivados. Na gestão anterior, esse teto era de R$ 52 mil, mudança que, segundo a direção do Itesp, teve impacto direto sobre a adesão ao programa e sobre a renda das famílias participantes.
Bressanin atribui o desempenho recorde a uma combinação de apoio do governo estadual, articulação intersecretarial e fortalecimento das cadeias produtivas organizadas. No caso do leite, a previsibilidade das compras públicas passou a funcionar como um elemento de estabilidade para pequenos produtores, especialmente aqueles integrados a cooperativas, que conseguem planejar melhor volumes, investimentos e logística.
Além do leite in natura e de derivados tradicionais, o programa ampliou o portfólio de alimentos adquiridos. “Ampliamos o leque de produtos. Hoje também temos o fornecimento de paçoca, bananinha e farinha de mandioca, por exemplo. Incluímos novos itens à medida que existe uma cadeia produtiva devidamente organizada”, explicou Bressanin ao detalhar a estratégia de diversificação.
Entre os desafios enfrentados pelo PPAIS, a industrialização de produtos lácteos aparece como um dos mais relevantes. De acordo com o Itesp, itens como leite em pó exigem investimentos elevados em processamento e estrutura industrial, o que está além da capacidade de muitos pequenos produtores. Para viabilizar o fornecimento, o programa passou a estimular a integração entre cooperativas de menor porte e a iniciativa privada, responsável pelo beneficiamento. O modelo criou uma ponte operacional entre a produção familiar e a agroindústria, mantendo a origem do leite na agricultura familiar.
A articulação com secretarias estaduais foi outro fator decisivo para o avanço do programa. Na Secretaria da Educação, por exemplo, as compras realizadas via PPAIS passaram de praticamente zero, no início da atual gestão, para mais de R$ 14 milhões em 2025. Já na Secretaria da Administração Penitenciária, o volume adquirido quase dobrou no mesmo período. Na comparação com 2022, o crescimento das compras públicas vinculadas ao programa se aproxima de 400%.
O papel das cooperativas é apontado pela Fundação Itesp como central para o funcionamento do PPAIS. Elas organizam a produção, reduzem custos logísticos, padronizam entregas e facilitam o escoamento da safra e do leite. Embora a participação individual seja permitida, a atuação coletiva amplia a eficiência econômica e aumenta o volume que pode ser comercializado com o governo estadual.
Quanto maior o número de produtores cadastrados em uma cooperativa, maior é a capacidade de atendimento às demandas públicas, o que se reflete em maior faturamento agregado e melhor distribuição de renda no campo. No segmento de leite, essa lógica tem sido fundamental para garantir regularidade de fornecimento e atender padrões exigidos pelas compras institucionais.
Para 2026, a expectativa da Fundação Itesp é de novos recordes. A meta declarada do PPAIS é atingir R$ 100 milhões em compras governamentais, além de ampliar ainda mais o portfólio de produtos. Entre as negociações em curso está a inclusão do filé de tilápia, alimento de maior valor agregado e elevado conteúdo nutricional.
Segundo o Itesp, o avanço do PPAIS reforça o papel estratégico da agricultura familiar — e do leite em particular — na segurança alimentar, no desenvolvimento regional e na geração de renda sustentável no meio rural paulista.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Canal Rural






