ESPMEXENGBRAIND
25 ago 2026
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🐄 O que aconteceu com as fábricas que produziam iogurtes e sobremesas sob marcas históricas do setor lácteo argentino?
Sancor
🥛 De um negócio bilionário a uma oferta questionada: entenda a novela judicial que envolve marcas lácteas famosas.

A Justiça argentina rejeitou uma proposta de US$ 10 milhões que buscava garantir, por venda direta, o controle de fábricas e marcas históricas ligadas à Sancor, uma das companhias mais tradicionais do setor lácteo do país vizinho.

A decisão mantém em aberto uma disputa que envolve pelo menos cinco grupos empresariais interessados nos ativos.

O caso tem origem na trajetória de Alimentos Refrigerados S.A. (ARSA), empresa criada em 2016 quando o então Grupo Vicentín comprou por cerca de US$ 100 milhões o negócio de produtos refrigerados da Sancor.

Sob esse acordo, a companhia passou a produzir iogurtes, flans e sobremesas que ganharam presença relevante em supermercados de toda a Argentina, comercializados sob marcas como Yogs, Shimy, Sancorito, Sublime, Vida, Primeiros Sabores e Lechelita.

Anos depois, a Vicentín transferiu 99% das ações da ARSA para a empresa Maralac, mantendo apenas uma participação minoritária. O negócio, no entanto, não resistiu: a companhia entrou em concurso preventivo e, após o fracasso desse processo, a Justiça decretou sua falência, determinando a liquidação dos ativos.

É nesse contexto que a Nueva Vicentín Argentina apresentou uma oferta firme de US$ 10 milhões pela totalidade dos ativos produtivos da ARSA, incluindo as plantas industriais de Arenaza, na província de Buenos Aires, e Monte Cristo, em Córdoba, além de imóveis, linhas de produção, equipamentos, veículos, estoques e os direitos sobre as marcas.

A proposta previa pagamento à vista em até 20 dias após a adjudicação e uma garantia equivalente a 10% do valor ofertado. A empresa pedia que a venda fosse direta, argumentando que a rapidez da operação evitaria maior deterioração das instalações e preservaria o valor das marcas.

O juiz Federico Güerri, responsável pelo Juizado Nacional Comercial nº 29 e pelo processo de falência da ARSA, não autorizou essa modalidade. Segundo a decisão, a venda dos ativos deve seguir o processo competitivo já estabelecido judicialmente, com avaliação de diferentes propostas e participação da síndica e da coadministração do processo.

Na prática, isso significa que a Nueva Vicentín não garantiu antecipadamente a compra e terá de competir com outros interessados, podendo inclusive melhorar sua oferta.

E os concorrentes não faltam. A Elcor, fabricante da marca Tonadita, apresentou uma proposta de US$ 1 milhão pela planta de Arenaza e outra de US$ 450 mil pelo pacote de marcas. Um grupo de empresários de Córdoba ofereceu US$ 1,5 milhão pela planta de Monte Cristo. Outras companhias do setor, entre elas Vacalín e Tregar, solicitaram inspecionar as instalações antes de formular suas propostas.

O edital judicial permite ofertas por ativos individuais, por combinações de bens ou pela totalidade do conjunto — e o valor mais alto não será o único critério de escolha. O tribunal também vai considerar a continuidade produtiva, a segurança do pagamento, a experiência do proponente, os investimentos comprometidos e a quantidade de postos de trabalho que poderiam ser recuperados.

Esse último ponto tem peso especial em Arenaza, onde a fábrica foi, por anos, um dos principais empregadores da região. A paralisação da ARSA afetou não só trabalhadores diretos, mas também produtores, transportadoras, distribuidores e comércios ligados à atividade da planta.

A proposta da Nueva Vicentín previa a reativação transitória das instalações por meio de contratos de fasón, aluguel de capacidade industrial ou licenciamento de marcas, com plano inicial de reincorporar progressivamente cerca de 70 trabalhadores.

O desfecho do processo judicial vai definir se as fábricas voltarão a operar como uma unidade integrada ou se os ativos serão divididos entre diferentes compradores. Para o setor lácteo argentino, o resultado envolve mais do que uma simples venda de maquinário: está em jogo o destino de marcas com décadas de presença na mesa dos consumidores, além da possibilidade de recuperação de empregos e capacidade industrial.

*Produzido pela eDairyNews Br, com informações publicadas por eDairyNews Es

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